ENTREVISTA: GIBA 'Há oito anos eu não sei o que é verão'
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domingo, 08 de fevereiro de 2009
VipComm 
Moscou - Há oito anos jogando no exterior, o ponteiro Giba está com saudades do verão. Afinal, quando não está defendendo a camisa de clubes europeus ou da seleção, o ponteiro passa férias na fria Curitiba. ''Acabo pegando o inverno brasileiro'', disse o londrinense, com bom humor, direto da Rússia - onde o termômetro marcava 30 graus abaixo de zero.
Por este e outros motivos, o campeão olímpico de Atenas-2004 acompanha com entusiasmo as negociações que podem o trazer de volta ao voleibol nacional. Mas não tira o foco dos compromissos: quer manter a liderança de sua equipe, Iskra Odintsovo, no Campeonato Russo e garantir um bom desempenho nas quartas-de-final da Copa dos Campeões da Europa.
Quais são as chances de você voltar a jogar no Brasil?
As chances são reais, pois a Cimed (de Florianópolis) tem interesse em me contratar desde maio do ano passado. Eles estão fazendo de tudo para viabilizar o meu retorno, assim como o Ary Graça (presidente da Confederação Brasileira de Vôlei) e a Olympikus, meu patrocinador. Mas ainda não posso dizer em que pé está essa negociação. O meu procurador (Jorge Assef) chegou sexta-feira no Brasil, sendo que ele já teve reuniões com outros times do exterior. Ainda há muita coisa para acontecer, até porque o meu contrato com o Iskra envolve multa e estamos na metade do Campeonato Russo. Mas acredito que a minha situação estará definida na segunda quinzena de março ou no máximo em abril.
A Cimed é a única equipe brasileira que está em negociação?
Pelo que eu sei, sim. Eles estão realmente muito interessados na minha contratação.
Como os dirigentes russos estão reagindo a essa possibilidade?
Não estão gostando muito (risos). O meu contrato vai até o ano que vem, talvez eles queiram aumentar a oferta - e segurança financeira para a minha família é muito importante. Mas que fique claro: dinheiro não é tudo neste momento.
O que você mais sente falta nestes oito anos fora do Brasil?
Sinto falta de tudo. Do meu país, da língua, do calor, da sensação de estar em casa... Faz oito anos que vivo somente no inverno, pois quando estou de férias vou para Curitiba e pego o frio de lá. Em todos esses anos eu procurei me adaptar da melhor forma possível. Vivi como os italianos vivem quando joguei lá e agora estou fazendo o mesmo na Rússia. Não posso ficar pensando no sol de 40 graus do Brasil, senão cometo o suicídio (risos).
Em seu blog (www.blogdogiba.com.br), você garante a permanência na seleção brasileira até 2010. Por quê?
Saúde eu tenho e estar na seleção brasileira é um grande prazer. Independente de ganhar ou perder, sinto-me extremamente honrado em poder defender o meu país. Acredito que tenho muito a contribuir com a minha experiência nesta mudança de gerações, que tem sido marca deste novo ciclo olímpico. Enquanto o meu corpo permitir, estarei na seleção.
Mas então você cogita estar fora da Olimpíada de Londres, em 2012?
Boa pergunta... Vontade eu não tenho não (risos)! Até porque quando a gente começa um ciclo olímpico é preciso terminar. Mas prefiro pensar no pior para não criar expectativas.
Como a sua família encara a hipótese de morar no Brasil?
A ideia é muito bem-vinda, ainda mais se tratando de Florianópolis. Ninguém ficaria nem um pouco triste de morar lá, principalmente no verão. A Cristina (Pirv, esposa) foi jogadora por 20 anos e me entende muito bem. Estamos empolgados, gostando bastante da ideia. Já decidimos fixar residência no Brasil e quero estar de volta pelo menos dois anos antes de parar de jogar.
Atletas como Serginho, Mari e Fofão estão de volta. Por qual motivo os jogadores estão retornando ao voleibol brasileiro?
Certamente a economia estável do nosso país contribuiu para que os patrocinadores tivessem mais segurança para investir. Este cenário é muito diferente do que víamos no passado, quando os clubes não conseguiam acompanhar os salários oferecidos pelas equipes de fora. Temos uma carreira curta e precisamos saber aproveitar as melhores oportunidades. Outro ponto importante é o fortalecimento da Superliga, que está muito emocionante. Sempre acompanho a competição pela internet e tenho visto grande interesse do público e da mídia. Todos ganham com isso.
Quando chegar o dia de se despedir da seleção brasileira, quem você gostaria de ver usando a camisa número 7?
... (silêncio) Não sei, não parei para pensar nisso. Mas garanto que não terei ciúme (risos). Prometo que depois do Mundial eu conto!


