ENTREVISTA: EMERSON FITTIPALDI - Bicampeão mundial de F-1 correrá em Londrina
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sábado, 21 de fevereiro de 2009
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
Londrina terá duas grandes atrações no dia 26 de julho deste ano: os possantes e lendários carros da GT3 e também um bicampeão mundial de Fórmula 1 estarão na cidade: Emerson Fittipaldi, o vencedor dos Mundias de 1972 e 1974, hoje com 62 anos, irá acelerar pela primeira vez o seu Porsche 911 no Autódromo Internacional Ayrton Senna. Ele é um dos famosos que povoam a nova categoria do automobilismo nacional, que teve sua primeira temporada completa no ano passado - as primeiras corridas no País aconteceram no segundo semestre de 2007.
Além de Fittipaldi, outros pilotos da GT3 que já passaram pela F-1 são o seu irmão Wilsinho, Ingo Hoffmann e Roberto Pupo Moreno. A categoria tem ainda nomes como Giuliano Losacco (bicampeão da Stock Car), Ricardo Rosset e Valdeno Brito, que correu algumas provas em 2008 em parceria com Emerson no Porsche 911. Juntos eram chamados de ''a dupla de 3 milhões de dólares'', já que o bicampeão de Fórmula 1 ganhou duas vezes as 500 Milhas de Indianápolis (US$ 1 milhão de prêmio em cada uma) e Valdeno venceu a Corrida de US$ 1 Milhão da Stock V8, no ano passado, no Rio de Janeiro. Valdeno é pernambucano, mas escolheu Londrina para morar há dois anos.
Para aproximar o leitor do evento marcado para julho, a FOLHA buscou detalhes sobre a categoria que estreará em Londrina e conseguiu uma entrevista exclusiva com Emerson Fittipaldi. Ele relata que está curioso por conhecer os circuitos pelo interior do País e garante que terá uma boa receptividade do público local.
FOLHA - O que é voltar a correr depois de tanto tempo? Qual foi a última categoria em que fez um campeonato inteiro antes da GT3?
Fittipaldi - A última categoria na qual fiz um campeonato inteiro antes da GT3 (em 2008) foi na F-Indy, e isso já faz algum tempo... Achei muito divertido e um desafio voltar a correr.
FOLHA - Você hoje corre por hobby, diversão ou com o objetivo de ser mesmo campeão?
Fittipaldi - Acho que é uma mistura dos três. Correr sempre foi para mim, antes de tudo, um prazer. Só que sempre competi para vencer, o que não foi diferente na GT3.
FOLHA - Você sente o carro na sua mão como nos tempos de F-1, pisando ao máximo no acelerador, ou tem que manerar? Os reflexos mudam um pouco?
Fittipaldi - É óbvio que os reflexos mudam, bem como o carro é muito diferente de um F-1 ou F-Indy. Mas a regra é sempre a mesma: o importante é acertar bem o carro para a pista. E eu ainda me sinto muito bem ao volante. Acho isso fantástico.
FOLHA - O que acha de correr em circuitos de cidades menores, como Londrina? A pista aqui tem curvas muito em baixa. Você deve saber que é muito diferente do que guiar em Interlagos ou no Rio, onde a pista é mais larga...
Fittipaldi - Eu nunca treinei em Londrina. Teria que conhecer a pista para poder comentar a respeito. Mas, quanto ao fato de o circuito não ser em uma das grandes capitais, isso não importa. O público do interior do Brasil é sempre receptivo, e na maior parte das vezes surpreende pela simpatia. Sei que vou gostar muito.
FOLHA - Fale sobre o nível da GT3 para os padrões brasileiros.
Fittipaldi - A categoria é excelente. São carros lindos, verdadeiros carros de sonho que estão competindo entre si, e o nível dos pilotos é excelente. Vejo a GT3 como uma das principais categorias do País.
FOLHA - Qual foi o momento mais emocionante nesta volta às pistas?
Fittipaldi - Foi quando meu irmão Wilson e eu anunciamos nossa volta às pistas, na coletiva da GT3. Nesse momento lembrei da minha mãe, que faleceu em 2007 e não pude conter as lágrimas. No mais, estar de volta ao volante é sempre muito bom.
FOLHA - Como você compararia o carro da GT3 com outros que já guiou no passado?
Fittipaldi - O GT3 é um carro de rua adaptado e preparado para competição, o que é diferente de um fórmula. Portanto, o comportamento do carro na pista é diferente. Agora, comparando um GT3 com um carro do mesmo gênero dos anos 70, a evolução é muito grande. Toda a eletrônica embarcada, a estabilidade nas curvas, a qualidade dos freios e pneus tornam os carros de hoje muito mais rápidos e seguros do que os do passado.
FOLHA - Você ainda se emociona com o carinho do público, depois de tantos anos sendo um ícone?
Fittipaldi - Sempre agradeço e dou muito valor ao carinho do público. Ter fãs é o maior patrimônio que qualquer esportista pode ter. Me julgo muito feliz por conseguir atrair a simpatia das pessoas que gostam de esporte.
FOLHA - O que você espera da sua temporada 2009?
Fittipaldi - Quero ganhar corridas e vencer o campeonato. Minha carreira talvez fosse diferente se eu não tivesse esses objetivos sempre como metas principais.


