A Fundação de Esportes de Londrina (FEL) tem um novo presidente desde a última terça-feira, quando o diretor-técnico do órgão, Ariobaldo Frisselli, o Dedé, assumiu o cargo que era ocupado pelo seu colega de Universidade Estadual de Londrina (UEL), Marival Antônio Mazzio. Ambos trabalham no Departamento de Educação Física da UEL há mais de 20 anos e assumiram juntos a diretoria da FEL, em 2001. Frisselli disse que irá manter a mesma linha de ação e a mesma política esportiva definida por Mazzio.
Em entrevista à Folha, ele informou que pretende trazer alguns eventos de relevância à cidade, como jogos de seleções brasileiras, quer ocupar melhor o Estádio do Café e anunciou a inclusão de duas novas equipes no programa de alto rendimento: o basquete da Inesul (que não solicitou verba em 2006) e o futsal masculino, que será gerido pelo Colégio Londrinense e voltará a disputar o Campeonato Paranaense em 2007.

Ações como presidente
''Quero manter a mesma estrutura e a mesma linha de ação que o professor Marival vinha seguindo. Todas as principais decisões aqui eram sempre tomadas em grupo, com a presença de todos os assessores e diretores. Assim a gente acerta junto ou também erra junto. As prioridades continuarão sendo o Projeto Futuro, a formação de atletas até o juventude (Sub-17) e o alto rendimento''.

Novo diretor
''Meu antigo cargo de diretor-técnico ficará vago pelo menos até janeiro. Não temos pressa para definir um outro nome porque precisamos ver isso com calma, até porque Londrina é muito rica de bons profissionais. Poderemos fazer um remanejamento interno ou trazer uma pessoa de fora com novas idéias para nos ajudar''.

Trazer eventos e jogos
''Queremos voltar a trazer grandes eventos esportivos para Londrina. O primeiro que estamos articulando é o retorno do Circuito Banco do Brasil de vôlei de Praia. Já tivemos três etapas aqui e em 2006 ela foi para Curitiba. Também estamos em contato com CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) para tentar trazer pelo menos um jogo da seleção campeã mundial (masculina). Ela fará um jogo em Maringá e queremos aproveitar a vinda dos atletas''.

Estádio do Café''Queremos também, por meio de contatos com a CBF, utilizar melhor o Estádio do Café, que está ocioso e não será usado pelo Londrina agora no Paranaense 2007. Poderia ser qualquer jogo de vulto da Série A do Brasileiro ou um jogo da seleção brasileira para agitar um pouco o torcedor local. Afinal, usando ou não usando, gastamos R$ 120 mil por ano só de água e luz para manter o Estádio do Café''.

Novas equipes
''Outra ação que implementaremos para atrair o torcedor aos ginásios será o apoio a duas novas equipes no programa 'alto rendimento': o basquete masculino (Inesul), que irá pedir a nossa ajuda, e o futsal masculino (Colégio Londrinense), que deve montar uma equipe forte em 2007. Com a entrada dessas duas novas equipes precisaremos alocar para elas uns R$ 250 mil/ano que estavam sendo investidos em outra área. Afinal, o valor total que temos continua sendo o mesmo: R$ 2,8 milhões''.

Equipes atuais
''Hoje temos três equipes no 'alto rendimento': o atletismo (que recebeu este ano R$ 100 mil do município), o handebol (R$ 200 mil) e o futsal feminino (R$ 100 mil). O atletismo vem fazendo um grande trabalho na base e na equipe de ponta temos aqui em Londrina o atleta mais rápido do Brasil, o José Carlos Gomes Moreira (100m rasos). O time da Unifil também tem orgulhado a cidade no handebol. Esse segundo lugar de 2006 não foi nada vexatório. Muito pelo contrário: acolhemos com muita satisfação, pois mantiveram um trabalho de qualidade e chegaram a disputar o título. E o trabalho do futsal feminino da Unopar dispensa comentário. Está entre as quatro melhores equipes do País e aqui no Paraná têm ganho tudo em todas as categorias''.

Investimentos
''Pedi à nossa assessoria para fazer um levantamento geral no País para saber quais são os municípios que investem em mais de duas ou três modalidades em ligas nacionais. E vamos ter uma surpresa. No Paraná, Londrina é seguramente a que tem o maior número de equipes. Temos aqui a GR, o atletismo, o handebol e o basquete masculino, além do futsal feminino. Curitiba não investe em nenhuma equipe. Maringá tem o basquete masculino, que irá jogar a Nossa Liga (NLB) e outros dois times que estão muito abaixo de Londrina em resultados: o handebol masculino (Unimed) e o futsal feminino (Cesumar). Toledo tem duas equipes de ponta: a GR e o futsal masculino. Cascavel tem só o futsal masculino e o handebol feminino. Pato Branco está só com o futsal masculino (campeão paranaense em 2006). E por aí vai...''

Verba é insuficiente
''Você me diz que a verba é insuficiente para nossas equipes de alto rendimento. O problema é que temos que atender muita gente. Vou te dar um exemplo: a equipe de basquete do Uberlândia, que jogou aqui contra a Inesul (no dia 9) gasta por mês R$ 130 mil. Isso dá mais de R$ 1,4 milhão por temporada para manter só um time forte no Campeonato Nacional. É a metade do nosso orçamento anual. E como iríamos cuidar do resto? Afinal, mais de 95% das equipes de Londrina que competem, recebem verba nossa. Até mesmo atletas avulsos de triatlo, kick boxing, luta de braço, sumô, skate, até de patinação... E damos um jeito de atender todo mundo''.

Moringão
''A gente tem um trabalho danado para conseguir administrar todos os eventos que nos pedem para realizar no Moringão. Como Londrina é carente de um centro de eventos, quase tudo vem parar aqui. Isso que cobramos R$ 5 mil por dia para a utilização. É show de banda, encontro católico, evento gospel, formatura de todo tipo, campeonatos de colégios... Daí isso acaba atrapalhando a programação das equipes locais para jogarem aqui. Às vezes a gente toma pau de vocês (imprensa), por exemplo, quando o time de handebol da Unifil acaba tendo que ir jogar em Maringá porque o Moringão já estava reservado. Você acha que gostaríamos de fazer isso? Claro que não. É que não dá para deixar o Moringão exclusivo só para esporte. Se desse, seria uma tranquilidade para nós''.

Novos ginásios
''Vamos inaugurar agora dentro de poucas semanas dois novos ginásios nos bairros, que poderão servir mais às modalidades. Um será no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste) e outro no Campos Elíseos (Zona Sul), que serão entregues às comunidades para gerenciarem a utilização''.

Torneios eleitoreiros?
''Se tem quem ache que os torneios populares que estamos realizando são para angariar votos, faço a seguinte pergunta: como um evento pode ter fim eleitoreiro se não tivemos eleições municipais nos últimos anos? E vamos dar continuidade a essas torneios, porque a participação aumenta a cada ano. O custo é irrisório diante da satisfação que gera nas comunidades. Por que os bairros carentes não podem ter direito ao lazer e ao entretenimento? O torneio '32 Horas Jogando Futebol' hoje está com 48 horas, o Torneio da Independência de Futsal agora precisa ser realizado em uma semana, o show ball aumentou o número de equipes de 27 para 54, e o mesmo ocorreu com o beach soccer. Há duas semanas promovemos um torneio de vôlei de praia que teve a participação de 56 duplas''.

Jogos Abertos
''Não tem nenhuma chance de voltarmos a disputar os Jogos Abertos do Paraná (JAPs), porque a competição virou uma mentira. É jogar dinheiro fora. Para as cidades de pequeno e médio porte, como Toledo ou Pato Branco, até sediar os Jogos era um atrativo. Mas hoje nem isso é mais. Vimos situações como um jogo de semifinal na Divisão A que tinha só 32 pessoas no ginásio, incluindo o quadro de árbitros e os atletas das duas equipes. É brincadeira! Esse tipo de coisa vem até em detrimento do esporte. Preferimos canalizar para outros fins e manter o foco só nos Jogos da Juventude e na iniciação esportiva''.

mockup