Amanhã completa mais um mês que o micro-empresário Agostinho Miguel Garrote levantou a mão e abraçou o filho abandonado, que ninguém queria tomar conta. Já se foram oito meses desde aquela reunião do Conselho Deliberativo do Londrina, em 18 de setembro de 2004, que definia o responsável por finalizar o mandato de Carlos Alberto Garcia, que havia renunciado, e o Tubarão continua vivo e sonhando em ser grande novamente. A barba, ainda grande, já está bem menor do que naquele dia. O cabelo também. A vontade de levantar o clube, porém, é a mesma. ''Só eu sei o que eu passo'', brinca o cartola.
Folha: Qual a diferença do Londrina hoje para aquele de oito meses atrás?
Agostinho Garrote: No geral não existe. A diferença substancial nisso aí é que o Londrina continua vivo, esperando uma definição financeira e estrutural em todos os sentidos.
Folha: Faça um balanço desse período.
Garrote: Estamos complementando uma gestão que foi deixada ao meio, para que o clube não viesse a ser extinto. Tivemos algumas dificuldades porque a gente não tinha o mínimo de recursos, tanto financeiro como estrutural. Atingimos um objetivo satisfatório que foi o quarto lugar (no Campeonato Paranaense). Durante todo esse período fizemos alguns acordos com credores que foram interrompidos e estamos dando continuidade.
Folha: Qual é a situação financeira do clube hoje?
Garrote: Devemos nos próximos dez dias fechar toda essa parte de finanças e sabermos o que ficou pendente. Estamos buscando também um relatório para sabermos o que tem de pendência da gestão anterior pra gente poder programar na sequência também o pagamento. Dessa gestão, que friso não é minha gestão, é um acabamento de uma gestão, devemos fechar equilibrada.
Folha: O episódio Itamar Bernardes atrapalhou? Você se arrepende disso?
Garrote: Jamais me arrependo. Toda e qualquer decisão desta presidência foi tomada com muita consciência principalmente a situação do Itamar, que criou-se um celeuma, um clima hostil em relação ao coordenador (Sidiclei Menezes) com a presidência, achando que aquela decisão a gente teria tomado da noite pro dia. Foram 30 e poucos dias pensando nessa situação. Reunimos a diretoria e estávamos consciente dos reflexos da demissão do Itamar. Ele tinha a simpatia do torcedor, a simpatia da imprensa. Muitos se enganam de que o Londrina estava numa situação boa no campeonato mediante os resultados.
Folha: O que o torcedor pode esperar do Londrina daqui pra frente?
Garrote: Do Londrina eu não sei, mas da diretoria, bastante luta, empenho, muita dignidade e, pode ter certeza absoluta, vamos conseguir situações favoráveis, que se não for a curto prazo, será a médio ou longo, dar uma estrutura definitiva para o Londrina. Entra ano sai ano é sempre a situação de mendicância, chapéu na mão. Sempre renovando o plantel. Estamos empenhados em estabeler as categorias de base para que, independente da permanência desta diretoria ou não, tenhamos para daqui um ano no elenco uns 60% de garotos prontos para vestir a camisa do Londrina.
Folha: É o primeiro ano do LEC na Série C e o clube ainda não está acostumado com essa lacuna grande no calendário. Como lidar com isso?
Garrote: Muitos diziam que tanto fazia estar na Série B ou C. Agora ficará provado que é uma pura mentira dizer que a Série B não era um patrimônio do clube. Em menos de 30 dias estaríamos com o time em campo. Estamos aí numa Série C totalmente diferente, que é uma incógnita. Traz prejuízos enormes. Por isso, a diretoria vai se empenhar para já nesse primeiro ano tentar tirar o Londrina da Série C.
Folha: O que é preciso para subir?
Garrote: Primeiro é montar um time competitivo, brigador e de profissionais que queiram vencer na vida.
Folha: Quanto é preciso? E o Londrina tem dinheiro para isso?
Garrote: É muito relativo dizer o valor. Pra montar um time competitivo, escolhendo a dedo os jogadores, acredito que é preciso de R$ 150 a R$ 200 mil.
Folha: E como conseguir esse dinheiro?
Garrote: Já estamos correndo atrás de algumas situações e espero que dentro de 30 a 45 dias tenhamos alguma coisa.

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