Enterrei minha juventude no gelo de Moscou
Nascido em Londrina em 1958, Antônio Carlos Gomes surgiu para o esporte aos 17 anos, como atleta de salto triplo, salto em distância e 110m com barreiras na equipe local de atletismo, que na época treinava no VGD. ''Não havia ainda a pista da UEL, que na época era só um terrão'', recorda.
Após servir o Exército, Gomes retornou ao Paraná em 1978 e se instalou em Apucarana para dirigir um projeto modelo de atletismo no município, que durou até 1984. ''Eu trabalhava como técnico, mas também competia, pois fui atleta até 1985. Fomos a principal força do atletismo estadual'', conta.
Em 84 foi convidado pela antiga Ametur para realizar em Londrina o mesmo trabalho desenvolvido em Apucarana. Assumiu a diretoria técnica da autarquia e foi também o treinador do atletismo local até 86. Sua carreira universitária começou anos antes, em 83, como professor da Faculdade de Educação Física de Arapongas.
Em 87 ganhou bolsa para fazer mestrado e doutorado na Rússia, onde ficou até 97. ''Ao chegar lá sofri para me comunicar, porque se falasse inglês naquela época era escorraçado, afinal era a antiga União Soviética. Fiquei então dois anos num internato só estudando o idioma russo'', lembra Gomes.
Ele diz que ''enterrou'' sua juventude ''lá no gelo de Moscou'' para adquirir o conhecimento que tem hoje. O sacrifício teve sua recompensa, porque Gomes se tornou o maior tradutor de livros técnicos de educação física do russo para o português e o espanhol, com 15 obras. ''Fora isso escrevi outros 15 livros no Brasil sobre preparação física de alto rendimento'', orgulha-se.
E por que ele escolheu a Rússia? ''Porque a União Soviética tinha excelência em preparação de atletas de alto rendimento, tanto é que nos anos 80 foi a maior potência olímpica mundial''. (J.K.)





