Enquanto a McLaren sobe, rivais caem
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domingo, 15 de março de 1998
Livio Oricchio Agência Estado 
Arquivo FolhaSubindoO rendimento dos McLaren MP4/13, que assustou nos primeiros testes, prova, na corrida, que vai brigar fácil pelas primeiras posições Os números mostram melhor que qualquer argumento a enorme superioridade técnica imposta pela McLaren a seus adversários, tanto na definição do grid como nas 58 voltas do GP da Austrália, domingo. Enquanto Mika Hakkinen e David Coulthard foram os pilotos que mais evoluíram nos tempos de classificação, a equipe campeã do mundo, por exemplo, a Williams, foi a que registrou as maiores quedas de desempenho entre os times de ponta.
Da sexta colocação no grid em 1997, Hakkinen pulou para a primeira este ano. Mais importante que isso: apesar de todas as tentativas de diminuir o desempenho dos carros, promovidas pelo novo regulamento, a McLaren MP4/13 permitiu a Hakkinen ser quase dois segundos (1 segundo e 961 milésimos) mais rápido que no ano passado. Em contrapartida, o modelo FW20 da Williams levou o pole position de 1997, o campeão do mundo Jacques Villeneuve, a cair para a quarta posição no grid e, pior, ser um segundo e meio (1 segundo e 550 milésimos) mais lento.
O quadro mostra também que contra a equipe que dominou os dois últimos mundiais, a Williams, pesa o fato de a Ferrari, a Benetton e até a Sauber experimentarem sensível evolução de uma temporada para a outra. Os pilotos dessas escuderias, também em contradição à projeção desenhada pelas novas regras, foram mais rápidos que em 1997. Nesse confronto particular, apenas a Williams ficou para trás. E não se pode creditar essa perda de performance de Frentzen e Villeneuve quase que apenas à menor velocidade proporcionada pelos pneus Goodyear do seu time, como chegou-se a comentar. A McLaren corre com os Bridgestone. A Sauber e a Ferrari também se tornaram mais velozes este ano competindo com o mesmo pneu Goodyear da Williams.
Alguns críticos lançam sobre a maior eficiência dos pneus japoneses a responsabilidade pelo avanço da McLaren, mas o desempenho da Benetton, que corre com os mesmos pneus Bridgestone, desmente essa tese. Giancarlo Fisichella abandonou o GP da Austrália com sua Benetton B-198 na 43.ª volta. Duas voltas antes, ocupava a quinta colocação, mas já com uma volta de atraso em relação a Hakkinen e Coulthard. Seu companheiro de Benetton, Alexander Wurz, classificou-se no final da corrida em sétimo, uma volta atrás também da dupla da McLaren. Usando a McLaren como parâmetro de desenvolvimento, os números evidenciam que a surpreendente Sauber largaria ao seu lado na primeira fila, com uma evolução de quase um segundo (903 milésimos) de 1997 para esta temporada. E considerando-se que os pneus Bridgestone da McLaren lhe conferem mesmo alguns décimos de segundo a menos, a performance da Sauber, time da Goodyear, ganha ainda mais destaque.
Todos esses números referem-se apenas à primeira etapa do campeonato, o que não deve servir de conclusão para todo o campeonato. É por isso que a corrida de Interlagos, dia 29, e da Buenos Aires, dia 13 de abril, estão sendo aguardadas com tanta expectativa. Elas serão disputadas em circuitos permanentes e não de rua, como em Melbourne. Os GPs do Brasil e da Argentina podem responder a muitas perguntas que ficaram no ar depois da prova da Austrália.


