Um dos três técnicos tricampeões brasileiros, Ênio Andrade é a inspiração de Célio Silva para levar o Londrina de volta à Primeira Divisão do Campeonato Paranaense. O treinador, morto em 97, treinou o ex-zagueiro no Internacional e sempre foi visto como um grande professor pelos jogadores.
Em um bate papo exclusivo, ontem, com a FOLHA, o técnico alviceleste falou de como será a cara de seu time na Segundona, do que aprendeu com Andrade, e dessa indefinição na data de estreia.
Folha: Como é trabalhar com essa dúvida de quando estreia?
Célio Silva: Para mim é bom, porque dá tempo de os jogadores que faltam chegarem. Quanto mais atrasar, melhor e creio que para outros times o pensamento é o mesmo. Mas naturalmente que existe aquela ansiedade de saber quando vamos estrear.
Folha: Essa falta de entrosamento e conjunto podem atrapalhar?
CS: São atletas de qualidade que estão chegando e estão habituados. Se o campeonato fosse hoje, começaríamos bem.
Folha: Vocês fizeram só um jogo-treino e um amistoso.
CS: Não vejo esses jogos como fundamentais para jogadores de 30, 25 anos. É mais para conhecer o elenco em situação de jogo.
Folha: Você teve uma carreira vitoriosa como jogador. Você se usa como exemplo para os atletas?
CS: Não gosto. Meu tempo passou e tento não fazer comparações. Lógico que algo da vivência eu uso e às vezes passo algumas coisas sem nem eles perceberem. Minha história a maioria conhece, mas não posso ficar colocando isso sempre.
Folha: Tem algum técnico que te inspira?
CS: Trabalhei com 34 treinadores. Pego um pouco de cada um, mas um que era um excelente profissional era o Ênio Andrade. Via uma grande diferença nele. Mudava o jogo com ele em andamento. O jogador procurava levar o recado dele direitinho ao companheiro porque depois seria cobrado se não fizesse isso.
Folha: Qual será a cara desse Londrina?
CS: A gente sempre espera uma combinação de aguerrido e técnico. Quero 11 atacantes e 11 zagueiros. O (Vanderlei) Luxemburgo sempre falava que quem tem medo de perder perde a vontade de ganhar. Sem a bola temos que marcar, até os atacantes e vice-versa. Quero uma equipe que não se entrega em momento algum. Eu gosto de jogar junto, incentivando, brigando, narrando o jogo e não deixando acomodar.
Folha: Você jogou com o Fábio Augusto no Corinthians e pediu a contratação dele. O que espera?
CS: Ele será um atleta que trará marketing para o clube e ao mesmo tempo vai me atender dentro das quatro linhas. O Fábio é viciado em preparação física.

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