São Paulo - Engenheiros do Departamento de Polícia Técnica da Bahia iniciaram ontem pela manhã a análise da arquibancada do anel superior do estádio Fonte Nova, em Salvador. Na noite de domingo, parte da estrutura cedeu abrindo um vão de 17 metros, e oito torcedores caíram de uma altura de aproximadamente 20 metros. Sete morreram. Outras 85 pessoas ficaram feridas, de acordo com a Polícia Militar, sendo quatro em estado grave.
De acordo com o diretor do Departamento de Polícia Técnica, Raul Barreto Filho, uma das hipóteses investigadas é a de que o desabamento tenha ocorrido por desgaste de material. O anel superior do Fonte Nova foi construído em 1971.
Um relatório divulgado pelo Sindicato de Arquitetura e Engenharia (Sinaenco) no dia 1º de novembro aponta o estádio da Fonte Nova como o pior do país. No total, o sindicato avaliou 29 estádios. O documento afirma que o estádio está em ''estado lastimável'' devido à falta de manutenção e não oferece ''nenhum conforto e segurança para os usuários''.
O levantamento do Sinaenco indica que em alguns locais do estádio, não havia peitoril, o que aumentava o risco de queda dos torcedores. Fotos já mostravam que a estrutura de vigas e pilares estava comprometida.
Campeão brasileiro de 1988 com o Bahia, o ex-meio-campista Bobô, atualmente superintendente da Superintendência de Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), órgão responsável pela Fonte Nova, negou ontem que o estádio tenha problemas estruturais.
''A estrutura é ótima, muito boa, não houve nenhum tipo de sinalização com relação à questão estrutural. Para se permitir um jogo tanto do Campeonato Brasileiro como do Baiano você tem que ter um laudo técnico, e esse laudo é feito pela Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e a Vigilância Sanitária. Nenhum desses possui efetivamente a condição técnica de dizer como está a estrutura de arquibancada, do concreto'', afirmou Bobô.
Interdição
O Fonte Nova está interditado desde a noite de domingo, por determinação do governador da Bahia, Jacques Wagner (PT), comunicada em nota oficial. Os engenheiros da Polícia Técnica começaram a analisar o estádio logo após o acidente. Como era noite e o local estava repleto de torcedores, porém, os trabalhos foram interrompidos e retomados ontem. O prazo para emissão de um laudo sobre as causas do acidente é de dez dias, mas pode ser prorrogado.
O inquérito que investiga o caso é conduzido pela 6 CP (Brotas). A delegada Maria Andrade Ramos disse que quer ouvir testemunhas e representantes da diretoria do estádio, do governo do Estado e da Federação Baiana de Futebol.
Cerca de 60 mil pessoas estavam no estádio Octávio Mangabeira - nome oficial da Fonte Nova - no momento do acidente. Elas tinham acabado de assistir uma partida entre Bahia e Vila Nova que terminou em 0 a 0. O resultado garantiu ao Bahia acesso à Série B do Campeonato Brasileiro em 2008.

mockup