Uma fratura na tíbia e uma operação para retirada do apêndice atrasou a estreia do engenheiro Sérgio Isidoro Canestraro Milani, 28 anos, no Ironman Brasil. A intenção dele era ter ido no ano passado. Como não foi possível, a força de vontade de encarar a maior prova de triathlon da América Latina fez com que ele iniciasse treinos um ano antes da competição. ''O que a maioria da pessoas não imagina que existe é o preparo psicológico e o quanto você é testado durante a prova. Seu corpo e sua mente tem que trabalhar em conjunto, você tem que lidar com dores musculares e fadiga durante todo o percurso''. O triatleta embarca nesta semana para Florianópolis, (SC) para participar do Ironman Brasil que acontece no próximo domingo, dia 30.
A experiência de Milani vem do último Meio Ironman que ele disputou no começo do ano em Caiobá, Litoral. Ao nadar 1,9 quilômetros, pedalar 90 e correr outros 21, o atleta conseguiu terminar a prova em 9º lugar na sua categoria. Milani já participou de outras provas de triathlon, como a Sesc Triathlon Caiobá onde a cada ano tem conseguido manter seu desempenho: 2008, 8º lugar; 2009 e 2010, 6º lugar.
A disciplina e a dedicação são atributos levados à risca pelo engenheiro que concilia os treinos, na Academia Gustavo Borges, com o trabalho. ''É muito difícil conciliar as atividades profissionais e o lazer com as horas e horas de treino. Nos finais de semana os treinos são mais pesados, os chamados ''longões'' as vezes com oito horas de pedal e uma ida até Maringá e voltar até Londrina'', diz.
É comum atletas que pretendem disputar provas pesadas como essa terem um ritmo de vida puxado. Milani lembra ainda que durante a semana é ''normal'' ter que acordar às 5h para ir pedalar, depois enfrentar duas horas de corrida e mais uma hora de natação após nove ou dez horas de trabalho.
Desafio
No início do mês, Milani sofreu uma lesão no pé direito e o ortopedista pediu repouso de 15 dias. Sem poder pedalar ou correr, a lesão quebrou o ciclo de treinamento do atleta, que ainda assim, almeja fechar a prova com tempo bom.
A paixão pelo esporte e a falta de patrocinadores - muito comum entre atletas dessa modalidade - é outro desafio de Milani e outros apaixonados pelo triathlon. No caso dele, as despesas são todas por sua conta para conseguir manter o hobby. Ele brinca: ''Eu me auto-patrocino''. ''Os investimentos no esporte são realmente consideráveis. Esses dias até brinquei com uma 'post' que fiz no twitter sobre ter que escolher entre comprar uma lavadora de roupa ou um par de rodas de competição. Apesar da brincadeira, muitos vão achar que a lavadoura de roupa é essencial, mas para nós triatletas, o par de rodas passa a ser o item desejado. Quanto as roupas você manda lavar fora'', conclui.

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