Os torcedores que acompanham notícias do Campeonato Paranaense pelo Brasil afora devem estar se perguntando: quem é esse tal de Engenheiro Beltrão, que lidera a competição? Eles não são os únicos a serem surpreendidos.
O próprio presidente do clube, Luiz Heitor Linhares, reconhece que o início irretocável - com duas vitórias em dois jogos - está acima da expectativa de um clube que se auto-denomina pequeno e que enfrenta dificuldades para manter seus compromissos em dia. ''Não posso negar que é diferente começar o campeonato dessa forma (com duas vitórias). Mas temos que ser realistas. Todos os times vão melhorar no decorrer da competição e temos que melhorar também'', ressaltou Linhares.
Consciente das limitações do clube, o presidente confirmou que o objetivo principal, antes do início da disputa, era se manter na divisão de elite do Campeonato Paranaense. Após as duas vitórias, Linhares, comissão técnica e jogadores começam a vislumbrar um futuro mais promissor. ''Queremos passar para a segunda fase e quem sabe conquistar uma vaga na Série C (do Campeonato Brasileiro)'', definiu.
Uma das preocupações no comando do time é manter os jogadores com os ''pés no chão''. A comissão técnica não quer que a empolgação pela liderança da competição interfira no trabalho. ''Vou fazer um trabalho psicológico com os atletas. Eles precisam manter o foco na vitória, que é nosso objetivo em todos os jogos'', adiantou o técnico Claudemir Sturion, que iniciou o trabalho com o grupo no dia 5 de dezembro. ''Eles (jogadores) assimilaram bem nosso estilo de trabalho. Além disso, nosso time tem muita qualidade''.
Sturion sabe que os dois próximos jogos serão fundamentais para comprovar a capacidade de seu time. Amanhã, o Engenheiro Beltrão enfrenta o Atlético, na Arena da Baixada, enquanto no domingo o adversário será o Londrina, no Estádio do Café. ''Será uma parada indigesta. Mas não vamos para Curitiba para ver o Atlético jogar. Da mesma forma em Londrina. Vamos respeitar os adversários, mas sempre procurando apresentar nosso futebol'', ressaltou o técnico, que não pretende desperdiçar a oportunidade de mostrar seu trabalho.
''Depois que fui campeão no Roma (da Copa 100 Anos, em 2006), não tive meu contrato renovado. Além disso, espalharam que eu tinha pedido muito para ficar no clube. Tudo mentira. Depois, passei pela Portuguesa Londrinense, comandei o Foz (do Iguaçu) na Segunda Divisão e fui auxiliar do Gilberto (Pereira), no Londrina. Fomos campeões do primeiro turno da Copa Paraná e saímos em seguida. Aceitei defender o Engenheiro Beltrão porque acredito no trabalho'', observou.
Como o Campeonato Paranaense está em seu início resta esperar e ver se o Engenheiro Beltrão se manterá como a sensação do campeonato ou se será apenas um ''cavalo paraguaio'', como muitos que surgem anualmente no futebol.

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