Rio - A prefeitura do Rio e o consórcio responsável pela construção do Engenhão, formado pelas empresas Odebrecht e OAS, culparam ontem o deslocamento da cobertura do estádio como motivo da interdição do local, por risco de desabamento. O deslocamento, no entanto, não mudou em nada desde a inauguração do estádio. Portanto, o Engenhão oferece risco aos torcedores desde que foi inaugurado para os Jogos Pan-Americanos de 2007, ao custo de R$ 380 milhões.
"Desde 2007, não há nenhum deslocamento na cobertura do estádio", disse o engenheiro do consórcio Engenhão, Marcos Vidigal. Segundo ele, havia um deslocamento previsto depois que fossem retiradas as escoras da cobertura, mas este confirmado oficialmente apenas agora foi maior que o esperado.
Por isso, o estádio estava sendo monitorado desde a inauguração, mas só em 2012 foi feito um estudo aprofundado, por uma empresa alemã, que apontou o risco de "ruína" com ventos acima dos 62 km/h. O resultado do estudo foi apresentado na última terça-feira à prefeitura, e o prefeito Eduardo Paes decidiu então pela interdição.
Armando Quiroga, representante do Consórcio Engenhão, evitou fixar um prazo para reabertura do estádio. "Pode ser um mês, seis meses, o tempo necessário", avisou, enfatizando que o importante agora é estudar os problemas que afetam a cobertura e avaliar os riscos que ela representa aos torcedores, para que posteriormente o local possa ser liberado.

Sem demolição
Eduardo Paes garantiu ontem que não existe o risco de o local ser demolido e ainda prometeu a realização de uma auditoria para apurar os responsáveis pela atual situação do palco carioca.
Paes afirmou esperar que o Engenhão seja liberado o mais rápido possível para receber jogos dos principais times do Rio, sendo que o estádio passou a virar uma grande preocupação da prefeitura da capital carioca, até porque o local está programado para ser a sede das competições de atletismo nos Jogos Olímpicos de 2016.
"Não há o risco (de demolir o estádio). Temos um problema na cobertura, passou da margem do risco aceitável, mas é um problema que tem solução. Não vai precisar desmontar o estádio. Queremos ter o Engenhão de volta o mais rapidamente possível para abrigar os jogos do futebol carioca", ressaltou o prefeito.
Paes ainda fez questão de enfatizar, por mais de uma vez, que a construção do Engenhão não foi realizada durante a sua gestão, e sim na do ex-prefeito Cesar Maia, atualmente vereador pelo DEM. Entretanto, ele garantiu que irá apurar as responsabilidades, lembrando que há três anos recebeu a garantia de que o estádio tinha condições de segurança normais para funcionamento.
"Em 2010, ninguém dizia que tinha risco, se tivesse risco eu tinha fechado o estádio em 2010. Como não entendo de ventos, isso é um laudo dos engenheiros. Mas a partir do momento em que um laudo diz que há risco, nossa decisão é interditar", disse, antes de falar sobre a auditoria que irá promover.
"Vamos ter que fazer (auditoria)... Tem um estudo aqui que aponta risco, não posso deixar o estádio aberto. Se for problema de projeto, a responsabilidade é da prefeitura. Se for de execução, o problema é de quem fez. Portanto, vamos apurar isso, porque só posso pagar uma eventual correção do problema, que não tem ainda uma solução, depois de apuradas as responsabilidades", disse Paes, admitindo ser um leigo neste assunto e ressaltando que "essa é toda uma discussão de engenheiros".
O prefeito ainda admitiu preocupação com o fato de que o Engenhão passou a ser um problema extra para o Rio como organizador dos Jogos Olímpicos de 2016. "Olha que temos que fazer o Parque Olímpico... e já temos responsabilidade suficientes de entregas para a Olimpíada, graças a Deus todas no prazo, para que a gente possa administrar esse problema", encerrou.

mockup