Endividado, Ponta Grossa oferece ao Londrina a vaga na Primeira Divisão
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sexta-feira, 06 de novembro de 1998
Giovani Ferreira, Nelson Cilo e Claudemir Scalone 
O Ponta Grossa Esporte Clube pode ficar fora do Campeonato Paranaense de 1999. A informação foi revelada ontem pelo presidente do clube, Antonio Luiz Mikulis, que também confirmou o interesse do Londrina em negociar a vaga do Ponta Grossa na Série A do Paranaense. De acordo com Mikulis, se o Londrina aceitar a proposta, o Ponta Grossa abre mão de sua vaga.
A proposta, segundo Mikulis, seria de um valor suficiente para pagar as dívidas contraídas pelo Ponta Grossa no último campeonato. Seriam despesas pendentes com salário de jogadores, dívidas trabalhistas, hotel, transporte, aluguel e resturante. Mikulis não disse em quanto estaria hoje a dívida do Ponta Grossa, mas informações extra-oficiais dão conta que passa dos R$ 100 mil.
Mikulis não revelou também de quem teria sido a proposta inicial, mas apenas que o interesse partiu dos dois clubes. Diretores dos dois clubes devem se reunir nos próximos dias para tentar fechar um acordo.
O último contato de Mikulis com o Londrina foi ontem, quando conversou com o coordenador-geral do clube, Célio Guergoletto, que aguarda a chegada do dirigente do Ponta Grossa. Guergoletto não entrou em maiores detalhes. Disse apenas que, caso haja o acerto preliminar, tudo ainda dependeria de uma eventual aprovação do Conselho Deliberativo.
Entretanto, o prefeito de Ponta Grossa, Jocelito Canto (sem partido), não quer deixar a cidade sem um representante no campeonato do próximo ano. Jocelito fez uma proposta para assumir o comando do Ponta Grossa, que promoveria uma espécie de fusão com o Operário Ferroviário Esporte Clube, uma das principais equipes que Ponta Grossa já teve, e que atualmente está licenciada da Federação Paranaense de Futebol (FPF).
Jocelito já manteve contato com a Federação, demonstrando seu interesse em manter o Ponta Grossa no campeonato. Conforme proposta apresentada pelo prefeito, a equipe ficaria registrada como Ponta Grossa, mas os jogadores vestiriam a camisa do Operário Esporte Clube.
Na avaliação de Mikulis, qualquer uma dessas hipóteses de negociação, seja com o Londrina ou com o prefeito Jocelito Canto, são interessantes para o Ponta Grossa. Do ponto de vista legal, perante a Federação, Mikulis garante que não existe nenhum impedimento, pois o Ponta Grossa é dono de sua vaga, podendo abrir mão quando achar necessário.
Com a saída do Ponta Grossa, segundo ele, a vaga seria automaticamente do Londrina, que terminou o Estadual deste ano na penúltima colocação e foi rebaixado à Série A-2 juntamente com o Maringá Futebol Clube (hoje Grêmio Esportivo Maringá).
O assessor jurídico da Federação Paranaense de Futebol, Boleslau Sliviany, 67 anos, afirmou ontem ser impossível juridicamente ao Ponta Grossa simplesmente ceder sua vaga na Série A-1 de 99 ao Londrina. Segundo Boleslau, só há um meio legal para viabilizar a volta do Londrina à divisão de elite do futebol parananese. O único jeito é a fusão entre os dois clubes, conforme autoriza o estatuto da FPF, diz.
O assessor jurídico da FFP não vê obstáculos numa eventual fusão entre Ponta Grossa e Londrina. O artigo 217 da Constituição Federal concede ampla autonomia aos clubes e eles podem se organizar do jeito que quiserem. Além do mais, a Lei Pelé não prevê nada sobre isso. Então, vale o estatuto da Federação, que permite as fusões entre as associações, informa Sliviany.
Para ele, a simples entrada do Londrina na vaga do Ponta Grossa iria gerar ações nos tribunais de justiça Desportiva (TJD) e Comum. O Foz do Iguaçu, por exemplo, poderia reivindicar no TJD a vaga do Ponta Grossa por ter sido o terceiro colocado na Série A-2 (segunda divisão) e, se necessário, apelar à Justiça Comum, pondera.


