Imagem ilustrativa da imagem Empresas dão visibilidade ao futebol feminino
| Foto: Marcos Zanutto

A Copa do Mundo de Futebol Feminino começou para o Brasil neste domingo (9), com inédita transmissão em TV aberta. O torneio feminino acontece concomitantemente da Copa América masculina, essa, disputada em casa. Para dar visibilidade ao futebol feminino – que era proibido no Brasil até 40 anos atrás - algumas empresas estão realizando ações para incentivar os funcionários a acompanharem as partidas das mulheres. O Brasil enfrenta a Austrália nesta quinta-feira (13), às 13h.

É o caso do Grupo Boticário, que decidiu paralisar as atividades da fábrica e escritórios no horário de jogos do Brasil. O Grupo promoveu um site com a campanha “Com Você Eu Jogo Melhor”, onde 64 empresas aderiram ao movimento.

Em Londrina, as empresas não vão parar. Mas, a Unimed realizará atividades para incentivar que os funcionários acompanhem os jogos. As partidas poderão ser assistidas pelos computadores ou televisores disponíveis nas salas, como explica a gerente de Marketing e Comunicação da Unimed Londrina, Dayane Santana. “Não tem como deixar de apoiar e estimular o futebol feminino. Dentro da corporativa, enfeitamos com tema da copa, colocamos nas geladeiras de cada andar adesivos com curiosidades, dicas e horários dos jogos. Nos dias de jogo, estimulamos que os colaboradores assistam, não vamos parar o atendimento, mas não vamos proibir que eles acompanhem nossas meninas”, afirma.

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| Foto: Marcos Zanutto

As televisões também serão sintonizadas na transmissão das partidas do Brasil para os clientes e a Unimed ainda distribuirá pipocas para o público interno e funcionários na hora do jogo. “Só não vamos parar 100% o expediente como foi feito na copa masculina porque não tivemos tanto esse movimento por parte das empresas aqui”, explica. Santana ressalta que 70% dos funcionários da empresa são mulheres, sendo 55% da gerência. “Aderimos em 2018 aos Princípios de Empoderamento da Mulher, iniciativa da ONU (Organização das Nações Unidas) e do Pacto Global e nos comprometemos a oferecer condições igualitárias e políticas que estimulem a igualdade de gênero.”

É a primeira vez que as jogadoras da seleção brasileira têm um uniforme exclusivo. A Nike, patrocinadora do time, produziu a nova camisa com o selo “Mulheres Guerreiras do Brasil”. Nos últimos dias, a empresa lançou um comercial enfatizando a representatividade feminina no campo. Já a Adidas, além de produzir uniforme especial para os times que patrocina, como a Alemanha, decidiu igualar o prêmio oferecido às seleções masculinas.

Em abril, a Panini lançou o primeiro álbum de figurinhas de jogadoras. Em maio, o Guaraná Antarctica lançou uma campanha para incentivar outras empresas apoiarem o futebol das mulheres.

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| Foto: Marcos Zanutto

LONGO CAMINHO PARA A IGUALDADE

Embora largos passos já foram dados em direção a uma maior igualdade de gênero no futebol, ainda há desafios pela frente. Ainda que as escolas municipais e estaduais de Londrina tenham paralisado as aulas durante os horários de jogo do Brasil na copa masculina do ano passado, este ano não há ações neste sentido. Contudo, as escolas têm autonomia para definir práticas pedagógicas de incentivo ao futebol feminino.

O maior imbróglio do futebol feminino está relacionado hoje aos investimentos financeiros. O que a Fifa paga às seleções participantes da Copa do Mundo feminina não chega a 1% do que foi para os homens em 2018. Com mais gols do que Pelé e mais títulos individuais do que Cristiano Ronaldo ou Messi, Marta é o exemplo mais nítido da desigualdade salarial no futebol.

Dos times do País, quem tem mais jogadoras na seleção é o Corinthians: Letícia Izidoro, Érika e Adriana. É também um dos times que mais investe nas mulheres. Contudo, segundo a Folha de S.Paulo, a equipe feminina do Corinthians tem uma folha salarial mensal de R$ 170 mil, enquanto o time dos homens recebe cerca de R$ 10 milhões.

Mas, uma nova fase pode estar adiante. Essa esperança perpassa por essa visibilidade das partidas. Futebol feminino no Brasil é novidade. Até 1979 vigorava uma lei instituída no Estado Novo que proibia que mulheres da prática de modalidades esportivas “incompatíveis com a condição de sua natureza”. Em 65, um decreto especificou as modalidades. Entre elas o futebol, a luta, o pólo, rugby, halterofilismo e o beisebol. Paralelamente, a seleção masculina brilhava vencendo as copas de 58, 62 e 70.

Devagar, a história muda. E teve mais uma parte escrita neste domingo, pela volante Formiga, 41. Recordista, ela estreou em sua sétima Copa do Mundo.

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