Empresários paulistas revelam planos para LEC
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
A identidade da misteriosa empresa paulista que entrou na briga para assumir o Londrina foi revelada ontem. Conforme a Folha antecipou na semana passada, ela entrou com tudo na briga com a SM Sports para tentar assumir o clube pelos próximos anos. O Grupo Universe, que atua em vários segmentos diferenciados, como telefonia, informática, área hospitalar, clínica de estética, papel, importação e exportação e alimentação, é quem está por trás da proposta oferecida à Justiça do Trabalho. O grupo é formado por 13 empresários, sendo um árabe, um italiano, um português e os demais brasileiros.
A Folha falou ontem com Rogério Berti, 38 anos, gestor de novos negócios do Universe. Há seis meses um dos braços do grupo patrocina o Sport Campo Mourão, futuro rival do Tubarão na Divisão de Acesso do Campeonato Paranaense e onde atua o atacante Lahyn Berti, de 18 anos, filho do representante da Universe.
Berti apresentou a proposta com a qual concorria até ontem à noite com a SM Sports, que era favorita a assumir o clube e que tinha o apoio de alguns veículos de comunicação locais e do prefeito Homero Barbosa Neto (PDT), que ficou furioso ao saber do concorrente de São Paulo.
Pela proposta, a Universe estamparia suas marcas nos uniformes do clube e seria a principal investidora. Na linha de frente do futebol estão os ex-jogadores e xarás Vágner Nunes, ex-meia do São Paulo, Santos, Vasco e Roma, e Vágner Marcelino, ex-volante de Flamengo, Cruzeiro e Londrina. Foram eles que convenceram os empresários a investir no Tubarão.
''Fui procurado por pessoas de Londrina, que estavam, atrás de patrocinadores ou pessoas com projetos para tocar o clube e começamos a negociar desde o começo de dezembro'', afirmou Marcelino. ''A ideia é construir uma grande equipe para passar da primeira fase da Copa do Brasil e depois subir no Paranaense, que é a nossa prioridade'', continuou.
A empresa pretende construir um Centro de Treinamentos num terreno de Vágner Nunes, localizado atrás do Shopping Catuaí, medindo quase 50 mil metros quadrados, que teria ainda um Centro Social aberto à comunidade. O CT seria entregue em três anos, prazo de vigência da parceria. Pelo contrato, há ainda a garantia de renovação por mais um ano caso as exigências fossem cumpridas, como, por exemplo, a conquista do acesso à elite novamente. O tempo de contrato foi o diferencial em relação à SM Sports, que batia o pé em dez anos.
A empresa não divulgou números dos investimentos no clube, mas garantiu que seria elevado. ''O investimento será campeonato a campeonato e o dinheiro será depositado em uma conta, que será administrada conjuntamente pelo Vágner Marcelino e pelo Rubens Moretti'', adiantou Berti.
O principal entrave para o fechamento, porém, eram as garantias documentadas de que o investimento seria feito. Sérgio Malucelli, dono da SM, teria oferecido seu moderno CT como garantia. Já os paulistas ofereceram o terreno onde pretendem levantar o CT, além de imóveis em São Paulo e um hospital em Goiânia.
Berti também revelou sua proposta para a divisão das receitas. Ele afirmou que propôs à justiça que os jogadores que pertencem ao Londrina seriam 100% do clube, assim como os valores arrecadados com vendas para o exterior de jogadores que foram revelados pelo Tubarão, como o atacante Alan, do Fluminense, e o lateral Rafinha, do Schalke 04 da Alemanha. O Londrina teria ainda 30% dos direitos dos atletas que forem da empresa. A porcentagem das outras receitas não foram divulgadas.
Interesses
A justificativa para o investimento em Londrina foi a visibilidade da cidade e seu potencial. Vágner Nunes já tinha um projeto parecido há anos, querendo aproveitar a região metropolitana, que reúne pouco mais de um milhão de habitantes. ''A gente viu um 'leão adormecido'. A visibilidade de Londrina é muito grande. Talvez o pessoal daqui não tenha noção disso. Tem notoriedade muito grande no mundo esportivo. A gente sabe que o Londrina sendo muito bem administrado tem tudo para figurar entre os maiores'', afirmou Vágner Marcelino. ''Estamos vendo o Londrina como clube e Londrina como cidade para investimentos. Pensamos em instalar aqui uma das nossas clínicas de estética, trazer para cá o nosso plano de saúde, e outras empresas do grupo'', complementou Berti.
Questionado se três anos seriam suficientes para o Universe recuperar o investimento, Berti revelou seu audacioso projeto. ''Hoje, o objetivo da Big Papel (empresa que encabeçaria o trabalho em Londrina) não é recuperar o investimento, mas mostrar quem somos. Depois, dar condições de ter uma eleição e lançarmos um candidato. Sabemos que o povo de Londrina vai ser justo em ver o que fizemos em três anos. Queremos continuar no Londrina com base no que fizermos''.
Time
Os investidores também garantiram que o clube não deixará de participar da Copa do Brasil. O Londrina estreia no torneio no dia 24 de fevereiro, contra o Uberaba, fora de casa. De acordo com Vágner Marcelino, dez atletas que estavam em atividade até dezembro estão treinando e aguardavam o acerto com a justiça para vir a Londrina. Além disso, segundo ele, havia o compromisso de alguns grandes clubes de mandar jogadores para formarem o elenco alviceleste. ''O Perrella (Zezé, presidente do Cruzeiro) me ofereceu seis atletas dele com salário pago'', afirmou o ex-jogador, que defendeu o clube mineiro.
Sérgio Malucelli
Berti evitou falar do concorrente na briga, Sérgio Malucelli. Pelo contrário, procurou elogiar o empresário. ''Não tivemos o prazer de conhecê-lo, mas temos um respeito grande pelo empresário. Felizmente temos a certeza da qualidade de quem está disputando com a gente. Não viemos para destratar ninguém'', disse.
Ele também falou da possibilidade de a SM Sports criar um novo clube na cidade e trazer a vaga do Iraty na Primeira Divisão. ''É importante para a cidade um novo clube, até para criar rivalidade, principalmente se forem dois clubes estruturados''.
Apoio do prefeito
O surgimento de um novo grupo irritou o prefeito Homero Barbosa Neto (PDT), que mesmo com a revelação dos outros interessados, manteve a sua posição de apoiar Malucelli. Berti afirmou que não temia retaliações da administração municipal. ''Não tivemos o prazer de conhecer o prefeito, mas ouvimos falar muito bem dele pelo Vágner Nunes. Tenho certeza de que nosso prefeito vai interagir pelo sucesso do clube, porque nós, como ele, dependemos do povo londrinense e tenho certeza que essa ação vai moralizar o clube, que foi destruído financeiramente e moralmente e terá o apoio dele''.
Ontem, à Rádio Brasil Sul, Barbosa afirmou que iria pedir que o vencedor da queda de braço faça as reformas necessárias para que o Estádio do Café seja liberado, o que foi descartado pelos empresários. ''A gente tem um contrato curto e neste período vamos investir no Londrina e não em obras para a Prefeitura, mas podemos sentar e discutir algo se houver um projeto a longo prazo'', afirmou Berti.
Até o fechamento da edição, a novela continuava e o nome do escolhido não havia sido divulgado.


