Curitiba - O técnico em gramados esportivos Ildo Padilha, proprietário da empresa curitibana Agropar Paisagismo e Ajardinamento S/C Ltda., conseguiu reaver ontem quatro das dez máquinas de alta tecnologia usadas para implantação e manutenção de gramados esportivos, que estão em poder do Atlético Paranaense há sete anos, desde a inauguração na nova Arena da Baixada.
Acompanhado de um oficial de Justiça, Padilha foi até a sede do clube para cumprir uma liminar, obtida na última terça-feira. No recurso, o juiz Joscelito Giovani Cé, da 21Vara Cível do Paraná, autoriza-o a retirar os equipamentos. Padilha retirou duas máquinas na Kyocera Arena e outras duas no Centro de Treinamento (CT) do Caju.
O técnico conta que sua empresa foi contratada inicialmente pelo Atlético para fazer as obras do gramado para a nova Arena, inaugurada em junho de 1998. Para realizar o trabalho, ele comprou máquinas da empresa britânica Ch Maintenance Limited, para fazer gramados com a mesma qualidade dos gramados ingleses. Na época, ele teria pago U$ 50 mil pelas máquinas, em estado semi-novo. Sua empresa trabalhou no campo em janeiro e fevereiro de 1998. Alegando atraso nas obras, no entanto, o Atlético teria rompido o contrato vigente e fechado outro acordo envolvendo diretamente a empresa inglesa e outra empresa paranaense.
Segundo Padilha, os desentendimentos começaram assim que o maquinário chegou ao Brasil. Ainda no aeroporto, Padilha obteve uma decisão da Justiça reconhecendo-o como proprietário e responsável pela retirada dos equipamentos. ''Mas o Atlético acabou conseguindo liberar o material. O clube alegou que as obras iriam atrasar sem as máquinas. A empresa inglesa também declarou que aquelas não eram as minhas máquinas'', explica. Anos depois, de acordo com Padilha, a Maintenance reconheceu, em documento assinado, que as máquinas em questão eram de propriedade dele.
Padilha afirma que das quatro máquinas retiradas, uma, avaliada em R$ 117 mil, está sem motor, totalmente avariada. Outra tem péssimas condições de uso e duas apresentam estado razoável de conservação. Ele disse que também teria um trator junto ao Atlético, que não foi encontrado. ''Eles derreteram para não ter que pagar imposto'', acusa.
O empresário afirmou que o valor atual de todas as dez máquinas é de cerca de R$ 320 mil. O técnico também pede R$ 256 mil por quebra de contrato e aproximadamente R$ 1 milhão por cessamento dos lucros. Esse valor corresponde aos ganhos que ele teria caso alugasse o equipamento nesse período. O aluguel para campos de golfe e futebol renderiam entre R$ 14 a R$ 18 mil por mês. (Colaborou Claudio Yuge)

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