Empresário quer perfil das dívidas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de janeiro de 1999
Nelson Cilo 
E a novela continua: ficou para hoje a entrevista coletiva em que os dirigentes devem anunciar os novos planos do Londrina e o nome do patrocinador que pode investir no clube durante a temporada-99. Ontem à tarde, o vice-presidente de futebol Célio Guergoletto, o presidente do Conselho Deliberativo Antonio Amaral e o diretor Agostinho Garrote reuniram-se com um influente empresário do ramo imobiliário para discutir o ponto básico de uma eventual parceria: o pagamento das dívidas do clube.
O encontro, que durou três horas, aconteceu no restaurante Tia Nega, área central da cidade. Segundo Guergoletto, as negociações não avançaram porque o empresário - o nome ainda é mantido em sigilo - pediu que o Londrina revele o perfil detalhado das dívidas e não um levantamento aproximado, como aconteceu ontem.
Guergoletto disse que, num primeiro instante, a imobiliária não investiria dinheiro no Londrina, mas daria imóveis aos credores para quitar os débitos, que chegariam a cerca de R$ 1,7 milhão. Ele contou que, inicialmente, a imobiliária não estaria disposta a pagar mensalmente R$ 50 mil a R$ 60 mil para bancar o time na Série A-2 do Paranaense, como prevê a projeção de gastos. Mesmo assim, ele pretende sugerir uma alternativa na reunião de amanhã (hoje). Também poderíamos atrair um grupo de dez empresários, que dividiriam os R$ 60 mil previstos na campanha da Série A-2 do Paranaense, diz Guergoletto.
Ele esclareceu que até a permanência dele para comandar o futebol do Londrina dependerá de três condições que considera fundamentais: resolver o problema das dívidas, desvincular o Londrina do poder público e buscar fortes patrocinadores.
Sem que viabilize financeiramente o futuro do Londrina, Guergoletto, coordenador-geral durante o Brasileiro da Série B, garante que sai de cena, recusando a indicação do Conselho Deliberativo para ocupar a vice-presidência. Se não formarmos um time competitivo, correremos o risco de cair no ridículo. Ninguém admitiria isso. Na Série B do Brasileiro, nosso objetivo era não cair. No Paranaense, só temos um desafio: subir. É preciso muita cautela na hora de definir o planejamento, acredita Guergoletto.
Apesar de tudo, Guergoletto confia em um desfecho favorável na reunião de hoje à tarde. Senti firmeza nas palavras do meu amigo empresário, que vê o futebol como um bom negócio. Ele me disse que a imobiliária não visa lucros imediatos, mas retorno para os próximos quatro ou cinco anos.


