Empresário não vê monopólio no acordo Traffic-Hicks, Muse


São Paulo, 28 (AE) - O acordo entre a empresa americana de administração de fundos Hicks, Muse, Tate & Furts e a Traffic não significa a formação de monopólio na administração de torneios, clubes e televisão. A garantia é do empresário J.Hawilla, da Traffic, que acertou, hoje, em Dallas (EUA), os últimos detalhes da negociação - a Hicks comprou 49% do patrimônio da empresa de marketing esportivo.
"Não haverá monopólio, porque a Bandeirantes não terá exclusividade nas transmissões", disse Hawilla, cuja empresa dirige a programação esportiva da emissora paulista. "E, se acontecer de existir mais transmissões de jogos do Corinthians (clube em que 85% do futebol profissional é controlado pela Hicks, Muse), o motivo é simples: interesse na audiência." Segundo ele, qualquer emissora procuraria transmitir os jogos corintianos, por serem líderes na preferência popular.
Hawilla apresenta exemplos práticos para derrubar as acusações da formação de monopólio: a Rede Globo, por exemplo, negociou, com exclusividade no Brasil, os direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2002 e 2006. Participa também da negociação do Campeonato Brasileiro - o contrato, aliás, foi recentemente prorrogado até 2004.
Mercosul - Sobre os direitos exclusivos de transmissão da Copa Mercosul, que pertencem à Bandeirantes, Hawilla disse que a emissora substituiu o SBT, que transmitiu o torneio do ano passado, mas desistiu neste ano.
Um exemplo de investimento cruzado, apontado por Hawilla, ocorreu na Europa, no início do ano. O magnata das comunicações australiano Rupert Murdoch tentou comprar, por US$ 1 bilhão, o controle do Manchester United, atual campeão inglês e europeu. Como Murdoch é o proprietário da TV BSkyB, o canal que transmite com exclusividade os jogos da temporada inglesa, o governo decidiu barrar a transação. "Esse foi um exemplo notório na Europa, porque houve a aprovação em centenas de outros negócios", disse Hawilla. O governo entendeu que Murdoch poderia barrar qualquer tentativa de outro canal de televisionar os jogos.
O acordo entre a Traffic e a empresa de administração de fundos também não vai interferir em negociações como a acontecida entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Nike, que explora a imagem da seleção por dez anos, em troca de US$ 200 milhões.
"A participação da Traffic na negociação resumiu-se a fazer a ponte entre a CBF e a Nike", disse o presidente da entidade, Ricardo Teixeira. "Depois de fechado o negócio e de ter recebido sua comissão legal, a Traffic encerrou sua participação."
Teixeira negou novamente que a empresa de material esportivo participe das decisões envolvendo a seleção brasileira. "Apenas cumprimos o contrato; participamos de jogos de interesse publicitário da Nike", afirmou.

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