Empresário confirma pagamento a árbitro
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segunda-feira, 26 de setembro de 2005
Agência Estado 
São Paulo - O empresário de jogos eletrônicos Nagib Fayad, apontado como o chefe do esquema de manipulação de resultados no futebol, depôs na Polícia Federal ontem e confirmou que fez três pagamentos ao árbitro Edílson Pereira de Carvalho. De acordo com o advogado do empresário, Cassio Paulette, o Fayad teria pago R$ 10 mil para cada resultado acertado pelo árbitro.
Edílson Pereira de Carvalho, por sua vez, não prestou o segundo depoimento à Polícia Federal na tarde de ontem como estava previsto. É que o advogado designado pela Associação Nacional de Árbitros de Futebol (Anaf) para defendê-lo, deixou o caso. Sem representante legal, a PF decidiu suspender o depoimento. A prisão preventiva de Edílson Pereira de Carvalho termina amanhã.
O árbitro Paulo José Danelon deverá se apresentar na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, hoje, às 14 horas. Ele é acusado de fazer a intermediação entre Fayad e Edílson Pereira de Carvalho.
Defesa - O advogado Francisco Vitor Augusto, contratado pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf) para defender Edílson Pereira de Carvalho no escândalo de manipulação de resultados, deixou o caso ontem. A entidade alega que não havia mais motivos para oferecer suporte jurídico ao árbitro depois de ele ter se transformado num réu confesso.
''Demos toda a cobertura legal que ele precisava até o momento em que se confessou culpado. Trata-se de um crime horrível, imoral, que depõe contra toda uma categoria e a entidade não poderia dar amparo a alguém nessas condições'', explicou o presidente da Anaf, o ex-árbitro José de Assis Aragão. Em geral, a associação oferece advogados a árbitros em questões restritas ao âmbito da Justiça desportiva.
Preocupado com a repercusão negativa do caso, Aragão saiu em defesa da categoria. Disse que se trata de um caso isolado e que a opinião pública não pode passar a tratar todos os árbitros como desonestos. ''Não podemos generalizar. Não é por causa uma laranja podre que todo o cesto está contaminado'', disse ele.
Aragão que atuou como árbitro entre os anos de 1965 e 1990 disse que ''toda a categoria'' está magoada com Edílson. ''Justamente agora que as coisas estavam caminhando muito bem para os árbitros, com uma preparação melhor, mais profissional, vem um cidadão como esse e ameaça colocar tudo a perder'', reclamou. ''Ele (Edílson) jamais poderia ter feito uma coisa dessas. Jamais poderia ter se envolvido com um esquema desses'', acrescentou.
Comercial - Com a divulgação do escândalo, o Comercial, de Ribeirão Preto, se considera prejudicado e pediu à Federação Paulista de Futebol a investigação de dois jogos que disputou no último Campeonato Paulista da Série A2. A culpa recai sobre o acusado árbitro Edilson Pereira de Carvalho e também sobre Paulo José Danelon, que ainda está sendo investigado.
O presidente Santino Soares Júnior viajou ontem para São Paulo e foi à sede da Federação Paulista de Futebol (FPF) reclamar dos seguintes jogos: a primeira, apitada por Edilson Pereira de Carvalho, foi a estréia do clube na competição, quando foi derrotado por 1 a 0 pelo Araçatuba. Depois, num jogo contra o Juventus, válido pelo quadrangular final, que terminou empatado em 1 a 1, no Estádio Palma Travassos, o Comercial teria sido prejudicado por Paulo José Danelon.


