Empresariado fecha os olhos para o esporte
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domingo, 21 de novembro de 2010
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
Fim de ano, época de fartura para uns e de penúria para outros Este segundo caso é o que mais se enquadra às equipes de Londrina Sem apoio dos empresários da cidade, as modalidades de alto rendimento sofrem para fechar o balanço e para projetar os gastos do ano seguinte A consequência se nota nas quadras e campos, com o aproveitamento sendo cada vez menor
O problema não é de hoje e só se agrava a cada temporada Para fazer esporte em alto nível, é necessário um investimento pesado, que está longe de ser obtido junto às empresas privadas Assim, quase todas as modalidades recorrem ao dinheiro público para sobreviver O Fundo Especial de Investimentos em Projetos Esportivos (Feipe), da Fundação de Esportes de Londrina (FEL) e a Sercomtel viraram pai e mãe das equipes, salvo poucas exceções Prova disso está nos nomes das agremiações Todas vem acompanhadas de FEL/Sercomtel
''Gera muita mídia espontânea através da crônica esportiva e tem impacto social e na comunidade de alto valor agregado'', afirmou o presidente da telefônica, Fernando Kireff
Nas modalidades individuais a situação é ainda pior Sem tanta visibilidade quanto nas coletivas, os atletas sofrem para conseguir apoios e dificilmente obtêm patrocínio Natália Falavigna que o diga Medalha de bronze na Olimpíada de Pequim e com um currículo repleto de conquistas expressivas no Brasil e exterior, ela encontrou investimento e estrutura no Rio de Janeiro
Mas por que o empresariado londrinense dá de ombros ao esporte local? ''São vários fatores Primeiro porque é uma cidade voltada para os serviços São poucas empresas realmente grandes, com orçamentos para investirem em esporte As cidades mais industrializadas têm mais possibilidades Aqui, também não há muitas marcas nacionais de produtos As empresas no Paraná ainda não despertaram para o esporte como um meio de divulgação'', afirmou o jornalista Cláudio Osti, dono de uma agência de comunicação e especialista em Marketing e Propaganda pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) Ele fala com conhecimento de causa, pois já atuou com marketing esportivo em várias modalidades
Na visão dele, o jeito de fazer esporte em Londrina ainda é muito amador ''Os projetos precisam ser pensados em médio e longo prazo e não para pagar o salário do mês que está atrasado Além disso, precisa ativar o patrocínio, oferecendo opções de exploração da marca aos investidores'', receitou
Mentalidade
Algumas equipes já estão tentando mudar essa mentalidade No handebol, por exemplo, desde o meio do ano a diretoria do Unopar Londrina/Sercomtel já está se mexendo dentro e fora de Londrina, para tentar reforçar o caixa ''A cultura teria que mudar Eu estou procurando patrocínio fora de Londrina Tivemos o projeto da Lei de Incentivo aprovado e isso vai nos ajudar O dinheiro, neste caso, não sai do bolso do empresário, mas dos impostos que ele paga'' '', afirmou o técnico e dirigente da equipe, Giancarlos Ramirez ''Londrina sempre teve boas equipes, mas nunca investidores''
Embasamento para exigir investimentos maiores ele tem de sobra Sua equipe foi seis vezes seguidas finalista da Liga Nacional Além disso, foi a única das Américas no Mundial de Clubes este ano, em Doha, no Catar
Ele ainda não fechou a contagem do retorno de mídia da temporada, mas pelo resultado do ano passado já dá para ter uma ideia de que foi muito bom ''Tivemos um bom retorno de mídia comparando com o que foi investido Em 2009, foram 5 milhões aproximadamente para um investimento de cerca de R$ 600 mil, somando as três patrocinadoras Em 2010, esse número vai aumentar, pois disputamos o mundial Isso sem falar na questão social, que o ganho é grande também'', revelou
No futsal feminino, sempre o investimento foi baixo, mas em 2010 a equipe correu o risco de encerrar as atividades Com a saída do patrocinador master, mesmo com um retonro de mídia de R$ 1,7 milhão apurado no ano passado ''Falta visão Quem tem consegue ver esse retorno que o esporte dá, investe, como é o caso das universidades'', afirmou a supervisora do time, Vanda Sanches


