O Conselho Tutelar de Londrina deve encaminhar ao juizado da Vara da Infância e Juventude uma denúncia contra a empresa Revela Brasil Sports, que mantinha um centro de treinamentos de futebol em Londrina. O motivo, segundo membros do órgão, seria as condições em que menores de idade eram mantidos no alojamento.
Dez garotos com idade entre 16 e 17 anos, todos de outros estados, moravam em um salão dentro do Grêmio Esportivo dos Operários da Prefeitura, que havia sido locado para a empresa paulistana. Segundo a conselheira Ana Cristina Martins dos Santos, os jogadores estavam em condições sub-humanas. ''Eles dormiam no chão, em colchões velhos, finos e sujos, o banheiro não tinha água e havia fezes no local'', descreveu a conselheira.
Segundo ela, os garotos também enfrentavam problemas com alimentação. ''Tinha dia que tinha café da manhã, tinha dia que não. Com o almoço e o jantar também'', contou Ana Cristina. ''Não vamos aceitar esse tipo de coisa. Chega de fazer dos nossos adolescentes mercadoria'', esbravejou ela.
De acordo com a conselheira, os atletas estavam no local há cerca de um mês. Também havia adultos no alojamento. Dos dez meninos retirados do lugar, eram três baianos, dois mineiros, um catarinense e quatro paulistas. Eles estão sendo encaminhados de volta para a casa dos pais em seus municípios de origem.
O responsável pela empresa Revela Brasil é um homem conhecido por João Alemão. A FOLHA o procurou, mas ele não atendeu às ligações. O presidente do Grêmio, Délcio Martins Garcia, que foi o autor da denúncia, preferiu não se pronunciar.
Os garotos também evitam falar sobre quem os trouxe e como viviam aqui. ''Eles têm medo de falar e acabar com a carreira. O sonho deles é ser jogador de futebol'', disse Ana Cristina, que conversou com alguns pais dos garotos. Eles teriam confirmado à conselheira que pagaram R$ 500 para a Revela Brasil.
De acordo com Ana Cristina, alguns jogadores iriam para a Portuguesa, outros para o Cambé. Amarildo Vieira Martins, manda-chuva do Cambé, disse que tem quatro atletas da empresa treinando em seu clube, outros dois no Londrina e mais dois na Lusinha. Ele se eximiu de qualquer responsabilidade pela acomodação dos atletas. Já o presidente da Lusa, Edson Moretti, negou que tenha recebido atletas vindos da Revela Brasil. Carlos Sérgio, técnico do time Sub-18 do LEC, também negou a presença de jogadores desta empresa no clube.

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