Empenho nos torneios garantiu bolsas de estudos
Para manter o xadrez vivo em Sertanópolis, a educadora Vera Pissinatti não poupa esforços. Quando chegou a época da primeira turma que se destacou jogando xadrez passar do ensino fundamental para o médio, tudo indicava que o grupo iria se desfazer. Como a Escola Estadual Monteiro Lobato atende até a oitava série, nesta época a dissolução da turma era dada como certa, porque as alunas iriam se distribuir por outros grupos escolares.
Porém, Vera resolveu procurar a diretora do colégio particular Jean Piaget, em Sertanópolis, e em troca de aulas de xadrez conseguiu bolsas de estudo para as quatro atletas, que julgava com melhor desempenho nos estudos, continuarem treinando e disputando torneios. Atualmente, elas estão no terceiro ano do ensino médio e relatam que o próprio xadrez teve participação na hora de se adaptarem ao sistema de ensino mais exigente que o público.
A diferença é bem grande, porque na particular é mais puxado. As provas são bem diferentes da escola pública onde o ensino não é tão aprofundado. Enquanto lá você vê o principal, na particular eles exigem tudo, ressalta Ana Bavati. Na opinião de Any Ferreira, o que mais pesou foi a mudança do ensino fundamental para o médio. É uma coisa que todo mundo sente dificuldade. Outro detalhe é o jeito de cobrar, que é mais puxado, afirma.
Até na hora de superar essas pequenas dificuldades as meninas atribuem os méritos ao xadrez. Segundo Any, a experiência adquirida nos campeonatos se traduz em concentração e paciência na hora de fazer provas e prestar atenção nas aulas. Tem provas que duram duas horas e meia e por causa do xadrez eu fico até o último minuto e o quanto deixarem. Eu percebo que é sempre o pessoal do xadrez que fica até o final, analisa.
Outro detalhe importante é o desempenho das enxadristas no vestibular. Any e Marciana estão no terceiro ano do ensino médio e ambas foram aprovadas em concursos para ingresso nas universidades sob a condição de treineiras em matemática e ciências contabeis, respectivamente. Mesmo assim, Any acha complicado unir as duas atividades, porque o xadrez exige muito tempo, mas quem gosta consegue tempo para conciliar as duas coisas. (R.O.)





