Muita emoção, abraços, beijos, fotografias, estouro de champagne e até um cafezinho da terra marcaram o retorno do alpinista paranaense Waldemar Niclevicz a Curitiba, ontem de manhã. Antes de sua chegada, no aeroporto Afonso Pena, seus pais, três irmãos, sobrinhos, amigos, atletas e companheiros do Clube de Montanhismo não conseguiam esconder a ansiedade. Todos queriam recepcionar aquele que agora é considerado um dos mais importantes e melhores alpinistas do País.
Aos 34 anos de idade, Niclevicz é o primeiro brasileiro a chegar ao topo da montanha K2, a mais perigosa do mundo, com 8.611 metros, situada no Norte do Paquistão, na fronteira com a China. Esta foi sua terceira tentativa de conquistar o K2, também chamado de ‘‘montanha da morte’’. Além dele, apenas 174 alpinistas de outros países tinham conseguido – e 54 perderam a vida. ‘‘Eu sabia que seria difícil, mas não esperava que a descida fosse tão dramática. Eu passei ali os piores momentos de minha vida’’, disse.
Desta aventura, fizeram parte também outros dois alpinistas: o francês Abele Blanc, 46 anos, e o italiano Marco Camandona, 29. Foram 63 dias, incluindo viagens por terra e caminhadas, até chegar ao cume da montanha. Deste tempo, 47 dias (de 16 de junho a 31 de julho) foram na montanha K2.
De volta para casa, os primeiros planos de Niclevicz eram ter ‘‘um pouquinho de conforto, um pouco de paz e um pouco de carinho’’. Para começar, ele já sonhava com seu prato preferido, preparado pela mãe Filomena para ontem: galinha ensopada com polenta, além de bolo prestígio. Na vida pessoal, seu principal plano é casar-se com a noiva Adriana Carioba. ‘‘É uma outra montanha difícil de ser escalada, mas eu espero ter sucesso também, sem muitas tempestades e avalanches’’, brincou.
Apesar dos riscos e medos, Niclevicz também já faz planos no campo esportivo. Em outubro, ele chefia uma equipe para participar do Enduro da Mata Atlântica, considerada a quarta corrida de aventura do mundo. Trata-se de uma competição esportiva, de aventura, com duração de 5 dias e 5 noites ininterruptos, sem dormir, percorrendo 500 quilômetros. Um total de 33 equipes participarão, sendo 15 internacionais. ‘‘É um grande desafio, onde os participantes chegam ao seu limite de sua resistência’’, disse, lembrando que este tipo de competição ecológica é uma grande tendência mundial. Além do Enduro, Niclevicz também deve realizar um sonho antigo seu, de chefiar uma expedição de brasileiros ao Himalaia.

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