Emoção marca volta de Niclevicz a Curitiba
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de agosto de 2000
Maigue Gueths De Curitiba 
Muita emoção, abraços, beijos, fotografias, estouro de champagne e até um cafezinho da terra marcaram o retorno do alpinista paranaense Waldemar Niclevicz a Curitiba, ontem de manhã. Antes de sua chegada, no aeroporto Afonso Pena, seus pais, três irmãos, sobrinhos, amigos, atletas e companheiros do Clube de Montanhismo não conseguiam esconder a ansiedade. Todos queriam recepcionar aquele que agora é considerado um dos mais importantes e melhores alpinistas do País.
Aos 34 anos de idade, Niclevicz é o primeiro brasileiro a chegar ao topo da montanha K2, a mais perigosa do mundo, com 8.611 metros, situada no Norte do Paquistão, na fronteira com a China. Esta foi sua terceira tentativa de conquistar o K2, também chamado de montanha da morte. Além dele, apenas 174 alpinistas de outros países tinham conseguido e 54 perderam a vida. Eu sabia que seria difícil, mas não esperava que a descida fosse tão dramática. Eu passei ali os piores momentos de minha vida, disse.
Desta aventura, fizeram parte também outros dois alpinistas: o francês Abele Blanc, 46 anos, e o italiano Marco Camandona, 29. Foram 63 dias, incluindo viagens por terra e caminhadas, até chegar ao cume da montanha. Deste tempo, 47 dias (de 16 de junho a 31 de julho) foram na montanha K2.
De volta para casa, os primeiros planos de Niclevicz eram ter um pouquinho de conforto, um pouco de paz e um pouco de carinho. Para começar, ele já sonhava com seu prato preferido, preparado pela mãe Filomena para ontem: galinha ensopada com polenta, além de bolo prestígio. Na vida pessoal, seu principal plano é casar-se com a noiva Adriana Carioba. É uma outra montanha difícil de ser escalada, mas eu espero ter sucesso também, sem muitas tempestades e avalanches, brincou.
Apesar dos riscos e medos, Niclevicz também já faz planos no campo esportivo. Em outubro, ele chefia uma equipe para participar do Enduro da Mata Atlântica, considerada a quarta corrida de aventura do mundo. Trata-se de uma competição esportiva, de aventura, com duração de 5 dias e 5 noites ininterruptos, sem dormir, percorrendo 500 quilômetros. Um total de 33 equipes participarão, sendo 15 internacionais. É um grande desafio, onde os participantes chegam ao seu limite de sua resistência, disse, lembrando que este tipo de competição ecológica é uma grande tendência mundial. Além do Enduro, Niclevicz também deve realizar um sonho antigo seu, de chefiar uma expedição de brasileiros ao Himalaia.


