Emoção marca o adeus ao Chile
Marcos Freitas
De Londrina
O Aeroporto de Londrina viveu no começo da tarde de de ontem alegria e emoção na despedida da seleção do Chile. Até uma pequena torcida estava presente e se despediu calorosamente dos heróis chilenos que conseguiram, de forma surpreendente, a vaga para as Olimpíadas de Sydney. Todos na delegação distribuíam abraços e beijos e comentavam que jamais se esqueceriam de Londrina, que sediou o Grupo A e o quadrangular final do Pré-Olímpico.
Um dos mais assediados era o treinador Hector Pinto. Pacientemente, distribuía autógrafos e atendia aos jornalistas no saguão do aeroporto. Ele disse que estava muito feliz por poder voltar ao seu país e comemorar junto com seus amigos e familiares.
Hector Pinto afirmou que tinha a sensação do dever cumprido: Ninguém acreditava em nós, mas fomos ajudados pelo Brasil e também pela nossa competência em campo, avaliou. Mostramos, para quem não acreditava e nos chamava de patinho feio, que humildade e trabalho sério ganham jogo.
O técnico disse que o povo chileno merecia a conquista, pois vem passando por grandes dificuldades. O triunfo ainda será muito comemorado por nosso povo, que desde domingo vive momentos de satisfação e orgulho. Hector Pinto agradeceu à cidade de Londrina. Jamais esqueceremos deste povo que tanto nos ajudou nessa conquista.
Para os jogadores Navia e Tapia, a comemoração, que começou no domingo, ainda no gramado do Estádio do Café, deve se estender por toda a semana no Chile. Todos merecem essa conquista, porque buscamos força do fundo de nossas almas, quando ninguém mais acreditava, disse Tapia, creditando ao treinador Hector Pinto o valor da conquista: Ele soube nos motivar.
Navia, autor do gol da vitória sobre a Argentina, rejeitou o título de herói nacional mas admitiu que o gol de domingo foi o mais importante de sua carreira. Ainda não me dei conta do que foi; talvez chegando lá e vendo a festa do povo chileno é que irei comemorar de verdade.
Mas o tom do discurso dos jogadores era mesmo de agradecimento à Londrina e à Seleção Brasileira. Sem exceção, todos os jogadores procuravam enaltecer o brio dos jogadores brasileiros na goleada de 9 a 0 sobre a Colômbia, na última rodada da fase de classificação o resultado pôs o Chile no quadrangular final. Estávamos fora e, de repente, seguimos adiante; foi maravilhoso, disse Olarra. Segundo ele, o calor humano dos londrinenses é algo inconfundível e que certamente nunca mais será esquecido. Ganhamos muita confiança quando, na segunda fase, entrávamos em campo sob aplausos. E durante as partidas o torcedor brasileiro nos apoiava como se fossemos brasileiros.
Somos eternamente gratos aos seu povo e à sua seleção, dizia o goleiro Di Gregório. Sem vocês teríamos muito mais dificuldades, mas quando ouvíamos o apoio das arquibancadas nos enchíamos de confiança e por isso conseguimos vencer Uruguai e Argentina.
A felicidade de alguns jogadores não se resumia à conquista da vaga para os Jogos Olímpicos. Maldonado, Olarra, Tapia, Tello, Pizarro, Nuñez e Contreras foram convocados para defender a seleção principal no amistoso contra Gana, em março.





