Emoção fora da quadra
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terça-feira, 28 de junho de 2016
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local
Dono de três medalhas olímpicas ouro em Atenas e prata em Pequim e Londres - Giba, 39 anos, foi um dos ex-atletas que participou do revezamento da tocha olímpica ontem em Londrina. Em entrevista exclusiva à FOLHA, o campeão olímpico falou da emoção de participar das Olimpíadas fora de quadra, da expectativa de medalha do vôlei brasileiro no Rio de Janeiro e no legado esportivo que os Jogos podem deixar para o país.
"Poder carregar a tocha na cidade onde eu nasci, onde tudo começou é emocionante e gratificante", garantiu. "É um momento único vivenciar um evento tão grandioso como este e que prega a união entre os povos. Antes a emoção era dentro de quadra, agora foi carregando a tocha, participando do museu itinerante, onde tem a minha camisa da vitória em Atenas. Estou procurando viver intensamente tudo isso", afirmou Giba.
Apesar de ter nascido em Londrina, o ex-atacante da seleção brasileira morou apenas dos sete aos 14 anos na cidade, mas ressalta que guarda um carinho especial pela terra natal e pelas pessoas. "Morei dez anos fora do país, Minas, São Paulo, Rio de Janeiro. Mas, a minha família é pioneira em Londrina e tenho um orgulho muito grande da cidade e sinto o carinho de todos aqui", frisou.
O londrinense acredita em uma disputa acirrada pelos primeiros lugares no vôlei masculino no Rio de Janeiro. "Imagino que o pódio vai ficar entre EUA, Polônia, Rússia, Brasil e França. Qual medalha o Brasil vai ganhar eu não sei, mas tenho a convicção que uma delas o Brasil vai levar", avalia o atleta que foi indicado pelo Bradesco para carregar a tocha em Londrina. Com a seleção brasileira ainda, Giba foi oito vezes campeão da Liga Mundial e tricampeão da Copa do Mundo.
Apesar de todos os problemas com obras, licitações e atrasos na entrega dos equipamentos que serão utilizados nas Olimpíadas, Giba acredita que os Jogos vão deixar um legado esportivo. "Os ginásios construídos no Rio vão virar escolas, acho isso muito importante", apontou. "Desde o anúncio que o Brasil seria a sede, o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) investiu muito nas Olimpíadas Escolares e isso mostra um resgaste do esporte nas escolas. Quando se tirou a obrigatoriedade da educação física, a perda foi muito grande. Esse pode ser um legado fundamental que vai ficar".
Sobre os altos custos dos Jogos durante o momento político e econômico difícil que o país atravessa, Giba ressalta que os investimentos feitos valeram a pena. "Está sendo gasto muito? Sim, mas por uma boa razão. Existem outros bilhões de reais que a gente deveria se preocupar um pouco mais do que com a Olimpíada ou Copa do Mundo. Ser o único país a conseguir sediar os dois eventos em uma mesma década deveria ser motivo de orgulho e não de preocupação".