Emoção e espetáculo embalam Brasil no Pan
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de julho de 2007
Eduardo Maluf<br>Agência Estado 
Rio - Num Pan em que o Brasil quebrou seu recorde de medalhas - 161 no total sendo 54 de ouro, 40 de prata e 67 de bronze - e teve o melhor desempenho de todos os tempos, sobraram protagonistas, vitórias emocionantes e casos de superação. A reação de Frank Caldeira ontem nos minutos finais da maratona, o primeiro ouro com Diogo Silva, do taekwondo, o show de Marta com a bola no campo, o show de Falcão com a bola na quadra, a arte de Jade Barbosa e Diego Hypólito na ginástica, a força da seleção masculina de vôlei, o recorde de Hugo Hoyama no tênis de mesa... Eles entraram para a história do esporte brasileiro e ficarão na memória do povo por muito tempo.
Claro: um atleta não poderia ficar fora da lista. Mas não foi citado acima porque merece destaque isolado, separado de todos. Seu desempenho no Rio foi extraordinário. Thiago Vilela Machado Pereira, de 21 anos, nascido em Volta Redonda (RJ), teve papel fundamental nos 54 ouros alcançados pelo Brasil. O nadador conquistou seis, o equivalente a mais de 10% do total. Não satisfeito, ainda levou para casa uma prata e um bronze.
No quadro geral, somou mais medalhas do que Equador, Uruguai, Jamaica, Porto Rico, Peru, entre vários outros. Sozinho, teria ficado na 11 colocação. E bateu a marca do lendário norte-americano Mark Spitz, vencedor de cinco ouros na edição do Pan de 1967, em Winnipeg.
''Foi uma maratona que valeu a pena'', festejou o astro. ''Não teria como ser melhor, consegui as oito medalhas que disputei, acabei indo além do esperado.'' Thiago começa a se preparar, agora, para um vôo mais alto e bem mais difícil: garantir pelo menos uma medalha na Olimpíada de Pequim. ''A Olimpíada é bem mais difícil, tem competidores de todo o mundo'', observou, consciente.
A piscina deu mais alegrias aos brasileiros. César Cielo, além de ter subido três vezes ao lugar mais alto do pódio, cravou o segundo melhor tempo do ano nos 50 m livre. Entre as mulheres, Rebeca Gusmão ganhou o primeiro ouro da natação feminina em Pans.
Na pista do moderníssimo João Havelange, a maioria dos favoritos do País também cumpriu bem seu papel: Jadel Gregório, no salto triplo, Maurren Maggi, no salto em distância, e Fabiana Murer, no salto com vara, não deram chances a seus rivais e venceram com sobras.
Para quem valoriza a arte e não apenas a competição, Marta e Falcão foram os grandes nomes dos Jogos. Mostraram com a bola nos pés que esporte também é beleza, magia, espetáculo. A garota alagoana pedalou em campo, fez gols, driblou, lançou e liderou o time feminino de futebol na busca pelo ouro. Na final, os 5 a 0 contra os Estados Unidos deram a dimensão exata da diferença entre as brasileiras e as outras.
Já o rapaz de São Paulo, hoje no Jaraguá do Sul (SC), não ficou atrás e deu show no futsal. Na decisão contra a Argentina, mostrou do que é capaz. Deu até chapéu no goleiro rival e marcou um golaço. O primeiro lugar foi mais do que merecido. Tão merecido quanto o do vôlei, que massacrou os adversários e não perdeu nenhum set na competição. A crise entre Bernardinho e o levantador Ricardinho não foi capaz de desestabilizar o time.
Como Pan também é emoção, o último dia não poderia ter sido mais surpreendente e emocionante. Quem imaginava que Frank Caldeira, mineiro de 24 anos, ultrapassaria o guatemalteco Amado Garcia na reta final da maratona? Pois ele conseguiu. E quem poderia apostar no triunfo de Flávio Saretta depois de estar perdendo por 5 a 3 para Adrian Garcia no último set, com dois match points contra? O paulista de Americana se superou e bateu o chileno.
Superação, aliás, que não faltou para o mesatenista Hugo Hoyama, ouro por equipes e maior vencedor da história do Brasil em Pans, com nove medalhas douradas. Em Pequim-2008, a concorrência será bem maior e a farra das medalhas não se repetirá. Mas certamente veremos boas histórias de superação. E muita emoção.


