Émerson Fittipaldi está de volta às pistas numa nova função e com um novo ‘‘sobrinho.’’ O campeão será consultor técnico da equipe Bettenhausen e deverá se associar a Tony Bettenhausen para montar seu próprio time de Fórmula Indy em 1999. Émerson adotou o estreante Hélio Castro Neves, de 22 anos, como o seu protegido. A afinidade entre os dois é tão grande que parece vir de família. ‘‘É como se eu fosse o tio e ele, o meu segundo sobrinho, depois do Christian’’. Émerson viu em Helinho alguma semelhança com ele próprio, quando iniciou a carreira, três décadas atrás. ‘‘O Hélio tem muito amor e muita motivação pelo esporte’’, destaca. A paixão de Émerson pelo automobilismo também não acabou e por isso ele resolveu voltar ao mundo da Indy. Depois de dois acidentes, que afetaram a coluna vertebral que o impossibilitam de pilotar um carro a 300 km/h, Fittipaldi busca novos desafios, agora do lado de fora da pista.
Nos 17 meses em que ficou afastado dos circuitos, desde a batida no oval de Michigan, em julho de 1996, Émerson sentiu muita saudade. ‘‘O automobilismo é meu amor’’, confessa. ‘‘É a minha vida.’’ Num primeiro momento, o campeão relutou em aceitar a idéia de parar. Toda vez que ia ao autódromo e escutava o barulho de um carro, sentia-se incomodado na mureta dos boxes, como um peixe fora d’água. O segundo acidente, de ultraleve, pareceu para ele um aviso de Deus. O novo sofrimento o convenceu de que era hora de não arriscar mais a vida.
Émerson agora vai aos autódromos feliz, como um iniciante. O novo trabalho lhe enche de energia. ‘‘Estou adorando poder ajudar o Helinho.’’ Émerson usa a experiência de 13 temporadas na Indy para lhe transmitir conselhos valiosos. No primeiro dia do Spring Training, teste de pré-temporada no oval de Homestead, quarta-feira, ventava muito e Helinho perguntou-lhe se devia sair dos boxes. ‘‘Se fosse eu, não arriscava’’, respondeu o campeão, deixando Helinho contente. ‘‘O bacana é que ele sempre me dá a opção de decidir.’’
Com muito jeito, Émerson vai domando a agressividade do vice-campeão da Indy Lights, às vezes exagerada. Apesar de vencer mais corridas e marcar mais poles, Helinho perdeu o título no ano passado para Tony Kanaan por não terminar as provas. ‘‘Digo a ele que em oval precisa ter uma atitude mental diferente, não pode se afobar’’, conta Émerson. Helinho começa a concordar. ‘‘Estou com tanta vontade que quero logo sair acelerando, mas ele está me mudando.’’
Émerson é um admirador do talento do jovem piloto. ‘‘Ele guia muito rápido e limpo.’’ E Helinho, um fã do ‘‘tio.’’ ‘‘Agora eu o admiro mais pela pessoa que é e pelo carinho e atenção que dá à família e aos amigos do que pelo ídolo que foi.’’

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