São Paulo, 15 (AE) - A equipe brasileira de hipismo que disputará os Jogos Pan-Americanos de Winnipeg voltou a enfrentar problemas, hoje, para embarcar seus 15 cavalos para o Canadá. Os animais passaram o dia todo na Base Aérea de Cumbica - boa parte do tempo dentro de caminhões - aguardando o embarque, que deveria ter ocorrido ao meio-dia. A confusão que vem cercando a viagem dos animais nos últimos dois dias provocou tensão entre os cavaleiros e expôs a falta de planejamento por parte do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e da Conferação Brasileira de Hipismo (CBH).
Após várias previsões frustradas e tensão dos tratadores e proprietários durante a tarde, a viagem de 13 horas foi transferida para a noite. "Só vamos saber o prejuízo provocado pelo atraso quando os cavalos estiverem no Canadá", disse o cavaleiro Vitor Alves Teixeira. "O fato é que toda essa espera e a própria viagem são perigosas para os animais."
Segundo a veterinária responsável pelos cavalos, Priscila Azevedo, alguns deles podem perder de 15 a 20 quilos e sofrer baixa de resistência imunológica, ficando vulneráveis a infecções e pneumonia. "Há uma doença conhecida como estresse de viagem", explicou a veterinária, já desgastada e irritada com a situação.
Os cavalos chegaram à Base Aérea às 7 horas e, desde então, segundo Priscila, não foi possível oferecer a eles condições adequadas de alimentação e abrigo.
"O meu cavalo (Jacareí) já perdeu uma ferradura e agora pode até quebrar o casco no meio do caminho", disse a amazona Sílvia Boer, do adestramento. "Somos os maiores prejudicados, porque os cavalos terão menos tempo para se recuperar." A prova de adestramento é a primeira e os cavalos têm de ser mantidos em quarentena por sete dias. O prazo da vigilância sanitária canadense foi ampliado até hoje para que os brasileiros não perdessem o período de quarentena.
Dificuldades - As dificuldades começaram na segunda-feira, quando os animais deveriam ter embarcado num avião da FAB, alugado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) por R$ 320 mil. A aeronave não tinha altura suficiente para comportar os contêineres com os animais e a viagem foi cancelada pouco antes do embarque. Às pressas, o COB fretou um cargueiro a um custo entre US$ 250 mil e US$ 300 mil.
"Faltou planejamento e informação", criticou Vitor Alves Teixeira. "Se soubéssemos do novo atraso, poderíamos ter providenciado abrigo para os cavalos." Segundo o coronel-aviador Francisco da Costa e Silva Júnior, do COB, responsável pela operação, o atraso não causará danos à equipe. "Conseguimos resolver o problema em tempo recorde."Admite, porém, que pode ter havido falha de comunicação com a FAB sobre as especificações do primeiro avião.

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