Emanuel, o colecionador de títulos
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sexta-feira, 14 de março de 2003
Guilherme Gouveia<br> Equipe da Folha 
Caxias do Sul - O paranaense Emanuel Rego, 29 anos, 12 de profissão, bem que poderia ser chamado de colecionador de títulos. São quatro campeonatos mundiais, quatro conquistas do circuito brasileiro e o prêmio de melhor jogador de vôlei de praia na década passada, honraria concedida pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB). É uma das estrelas da primeira etapa do Circuito Banco do Brasil, que está sendo realizada neste fim de semana em Caxias do Sul (RS).
Curitibano, passou sua infância ouvindo o som dos jatos no Guabirutuba, bairro bem próximo ao aeroporto, Emanuel ganhou o mundo, mas não se esqueceu dos bons tempos de atleta amador. Lembra com carinho da época que dormia em colchões velhos em alojamentos precários dos Jogos Abertos do Paraná (JAP's). ''São nessas competições que brilha a essência do esporte. Sinto saudades da união e do companheirismo que existe nesse tipo de torneio'', confessou o ex-meio-de-rede do Clube Curitibano. ''Como a cidade não participava dos jogos, tínhamos que jogar por Ponta Grossa'', lembra.
Atualmente, Emanuel reside com esposa e filho de cinco anos em João Pessoa, capital da Paraíba. Ao lado do baiano Ricardo, seu companheiro de quadra, treina diariamente atrás de um sonho: a medalha de ouro olímpica. ''É o único título que me falta. Eu e o Ricardo estamos aguardando os critérios de classificação. Depois de algumas mudanças, a decisão ficou nas mãos do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Na minha opinião o critério antigo, que levava em conta os oito melhores resultados da temporada, ainda é o mais justo'', ponderou. Emanuel já esteve em Atlanta, em 96, ao lado de Zé Marco, quando conquistou apenas a nona colocação. Já em Sydney, em 2000, jogando ao lado de Loiola, a dor da derrota foi mais aguda. Ostentando o status de favorito, teve de amargar o mesmo resultado da olimpíada anterior.
Atual vice-líder do ranking nacional, o paranaense confessa que anda meio cansado da vida de nômade. Fica em média 26 finais de semanas longe de casa e só visita pais e avós em Curitiba duas vezes por ano. ''Sinto muito falta de meu filho de cinco anos. Ele sempre me pergunta porque estou indo embora de novo'', disse.
O repórter viajou a Caxias do Sul a convite do Banco do Brasil


