EMA atravessa antigo pólo agrário
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de novembro de 2001
Julio Cesar Lima<br> De Monte Alegre (PA) 
A história agrária do Brasil teve um dos seus momentos principais no município de Monte Alegre, no Pará, sede da Expedição Mata Atlântica (EMA); corrida de aventuras que percorre 550 quilômetros da amazônia paraense desde o final de semana. A cidade serviu como o primeiro pólo de assentamento agrário do País, em 1927, pelo governo federal. Na época, um grupo de 80 famílias nordestinas foi deslocado para a região e formou a Colônia Agrícola Nacional do Pará (CANP), com 20 mil quilômetros quadrados.
Formada por três glebas de terras (Mulata, Inglês de Souza e Major Barata), hoje a área abriga 200 famílias, na maioria colonos que praticam a agricultura de subsistência em áreas com o máximo de 100 hectares.
Na mesma região, a dez quilômetros do local onde funciona o acampamento central da EMA, o extinto Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) distribuiu em 1978, seis mil lotes para agricultores, como parte do programa de interiorização do País.
Hoje restam poucos pioneiros na região. Haroldo Fernandes Pereira, 65 anos, é o morador mais antigo da área. Baiano de Itabuna, ele não foi contemplado com as terras oficiais, trabalha como empregado em uma fazenda local, mas conhece os poucos remanescentes do período.
Segundo ele, a maioria das pessoas teve suas passagens de avião pagas pelo governo, mas a região somente se desenvolveu após a construção da rodovia PA-254, anos mais tarde. ''Muitos dos que vieram não tinham como distribuir o que produziam, pois não havia estrada, apenas o rio (Maicuru). Por causa disso as pessoas mudaram'', afirma Haroldo.
A política econômica do governo federal para o agricultor, a partir dos anos 80, também afetou a economia de Monte Alegre. Diraci Batista dos Santos, 60 anos, chegou a ganhar o prêmio federal de Produtor Modelo, após bater recordes de safra de milho, feijão, arroz, banana e algodão, cuja produção atingiu seis toneladas. ''Recebi uma compensação em dinheiro (20 mil cruzeiros da época) e um convite para ir a Brasília, mas não fui'', disse. O paraense Diraci recebeu um lote de 100 hectares e passou a comprar outros de pessoas que não se adaptaram ao lugar.
Passada a euforia, ele passou a conviver com os juros altos e a redução da produtividade. Com um derrame cerebral que paralisou seu lado esquerdo, Diraci apenas lembra os bons tempos do assentamento. ''Hoje planto apenas para meus filhos pequenos (cinco)não passarem fome'', afirmou Diraci. (O repórter viajou a convite da organização)


