Em vez da ginástica, elas batem pra valer
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de novembro de 2005
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
O kick boxing está virando a nova mania das academias de ginástica de Londrina. Antes restrito apenas a ambientes masculinos e a espaços de prática de boxe ou de artes marciais, como as academias do Londrina Esporte Clube (LEC) e Iron Works, a modalidade agora está presente nas salas de ''malhação'' da cidade e vem fazendo o maior sucesso entre as mulheres.
Desde o começo do ano, o ex-técnico do LEC, Juari Franco, vem ministrando aulas de kick boxing na QG Fitness, localizada dentro do Hiper Muffato da Avenida Tiradentes, e há quatro meses lançou a modalidade na Quality, badalada academia situada na área central. ''O kick boxing vem ganhando a preferência do público feminino porque é arte marcial e ao mesmo tempo trabalha as regiões do corpo da mulher que mais tendem a acumular gordura, como o tríceps (músculo posterior do braço) e o quadril'', explica Franco, que é professor da modalidade há seis anos. Ele observa que quando se dá um soco, a mulher exercita o braço; já quando o movimento é um chute, as partes fortalecidas são a nádega, a coxa e a panturrilha.
Segundo Franco, o kick boxing é uma variação do boxe tailandês, o muay thai, atração dos filmes de Jean-Claude Van Dame e que admite, entre outros golpes, joelhadas e cotoveladas. O primeiro, porém, ganhou o mundo porque se ocidentalizou hoje é sucesso na Europa e nos Estados Unidos.
Interessadas A reportagem da Folha pôde comprovar o interesse do público feminino pela modalidade quando esteve na Academia Quality, observando uma aula, semana passada. Enquanto oito atletas treinavam e suavam no tablado, pelo menos outras dez frequentadoras da academia acompanhavam atentas, do lado de fora, os golpes e socos desferidos pelas ''lutadoras''. As pancadas eram tanto nos sacos de areia quanto nas próprias adversárias, durante os treinos de ''sparring'' quando o treinador libera os atletas para combates com protetores.
A academia cobra mensalidade única de R$ 50 e as clientes têm o direito de praticar todas as modalidades de ginástica, musculação e de artes marciais. Mas depois que se encaixam no kick boxing, a maioria não quer nem saber de voltar à malhação tradicional, mesmo podendo frequentar as aulas de graça.
É o caso da administradora de empresas Adriana Guirado Bette, 34 anos, que conheceu a modalidade há um ano e meio, na academia de boxe do LEC, situada embaixo das arquibancadas do Estádio VGD. ''Sempre quis associar uma arte marcial aos exercícios de academia. Quando descobri que o kick boxing trabalha toda a musculatura, não precisei mais ir atrás de ginástica para buscar a definição corporal que eu procuro'', conta ela.


