Rio de Janeiro - No período de um ano, de outubro de 2001 até hoje, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, trabalhou menos de três meses no Brasil a estimativa é de 88 dias (24% do ano), mas o número pode ser ainda menor. No restante do tempo, tirou licenças por doença ou para viajar ao exterior, nas quais alegou estar em reuniões da Fifa. O dirigente recebe um salário anual de R$ 245 mil, segundo a CPI do Senado.
A primeira licença de Teixeira foi de 30 de agosto de 2001 a 21 de janeiro de 2002, quando alegou ter problemas médicos. Voltou para participar de uma reunião de presidentes de federações e envolveu-se em atividades da CBF no final de janeiro e em fevereiro.
A entidade informou em seu site que Teixeira pediu nova licença em 12 de março. A Agência Lancepress!, porém, obteve fax enviado pelo dirigente às federações, da mesma data, em que ele informa estar prorrogando a permanência de José Sebastião Bastos na presidência da CBF. Ou seja, já estava de licença antes. ''Ele ficou de licença de janeiro a agosto'', afirmou Carlos Alberto Oliveira, da Federação Pernambucana de Futebol.
De março a agosto, Teixeira só trabalhou no País no dia 8 de abril. No período, o site da CBF afirmou que Teixeira participou de uma auditoria, reuniões, comissões e congressos da Fifa de março até junho, quando começou a Copa. Nesses meses, estava sendo definido no Brasil o Campeonato Brasileiro de 2002.
Em setembro, mais 20 dias fora para participar do Congresso da Fifa, que durou dois dias. O dirigente viajou em 10 de setembro, mas o congresso começou em 23 de setembro. Segundo o site da CBF, Teixeira viajará mais três vezes ainda neste ano.
A CBF decidiu divulgar as datas das licenças do presidente Ricardo Teixeira, na última quinta-feira, em seu site, após questionada a assessoria de imprensa sobre o período em que o dirigente esteve ausente da entidade. Na quarta-feira, a reportagem procurou a assessoria da entidade e perguntou detalhes sobre a duração das reuniões das quais Teixeira participou, que o levaram a prorrogar seguidamente as licenças. A assessoria da entidade não respondeu e divulgou em seu site as informações sobre as licenças.

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