Em tarde de 'Julios', Brasil cede empate
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domingo, 29 de março de 2009
Thiago Mossini<br> Enviado Especial a Quito 
Quito - O Brasil deixou escapar uma importante vitória ontem, na altitude de 2.800 metros de Quito, ao ceder o empate para o Equador aos 44 minutos do segundo tempo. O gol de Noboa premiou a seleção que procurou jogo e que massacrou o adversário durante os 90 minutos de jogo. Apático, sonolento e um pouco desgastado por conta da altitude, o Brasil sofreu para conter os equatorianos, que abusaram de perder gols.
Se a seleção brasileira ainda pôde comemorar o ponto conquistado, deve isso a dois 'Júlios'. Lá atrás, Julio Cesar mostrou porque seu nome é incluído nas listas de melhores do mundo na posição. Salvou o Brasil em várias oportunidades. Lá na frente, Júlio Baptista mostrou que tem estrela. Entrou com vontade no lugar do cada vez mais improdutivo Ronaldinho Gaúcho e na primeira vez que pegou na bola fez o gol que quase deu a vitória à equipe.
O empate derrubou o Brasil para a quarta posição nas Eliminatórias Sul-Americanas com 18 pontos, um a menos que Argentina e Chile, e cinco a menos que o líder Paraguai. Já o Equador chegou aos 13 pontos e é o sétimo. Na quarta-feira, o time brasileiro pode se redmir em casa. Em Porto Alegre, a seleção de Dunga receberá o Peru, às 21h45.
O jogo
Embalado pela apaixonada torcida, o Equador mostrou o cartão de visitas logo no início. Guerron fez boa jogada pela lateral esquerda e cruzou para Benitez, que, sozinho na área, cabeceou para fora.
O Brasil respondeu rápido. No lance seguinte, boa troca de passes do meio campo brasileiro. Ronaldinho viu Robinho entrando livre pela esquerda. O ex-santista driblou o marcador e tocou de calcanhar para Marcelo chutar na diagonal. A bola passou rente a trave.
Mas o Equador era só pressão e voltou a ameaçar em cobrança de falta de Mendez, aos 6 minutos. Aos oito, os equatorianos trocaram passe na entrada da área, Luisão cochilou e a bola sobrou para Mendez soltar a bomba para a defesa de Julio Cesar. Dois minutos depois, após saída errada da defesa brasileira, Valencia acertou um belo chute de bem longe no travessão.
Por muito pouco o Brasil não sofreu o gol aos 15 minutos. O baixinho Benitez recebeu um rapa de Felipe Mello no bico da área. Ayovi cobrou. Julio Cesar não segurou e a defesa brasileira salvou a tempo.
Em um dos poucos ataques brasileiros no primeiro tempo, Maicon sofreu uma lesão muscular e teve que deixar o gramado aos 21, para a entrada de Daniel Alves. Enquanto aguardava ordem para entrar, o lateral do Barcelona viu Valencia acertar uma bomba no travessão.
A equipe brasileira se limitava a defender e não conseguia sair para o jogo. Os equatorianos mostravam entrosamento, irreverência e muita agressividade, chegando fácil às proximidades da área de Julio Cesar.
Após os 30 minutos, os equatorianos diminuíram o ritmo e o Brasil conseguiu sair um pouco mais para o jogo. Porém, não conseguia furar a bem postada defesa da seleção local e, assim, a bola não chegava em Luís Fabiano, a não ser na base dos lançamentos, quando o ex-são-paulino tinha que brigar com os marcadores.
O Equador, por sua, vez, continuava a perder gols. Chegava com menos intensidade, mas sempre com perigo. No lado brasileiro, Robinho ainda teve chance de marcar aos 43, após tabela com Luís Fabiano, mas chutou para fora.
Chances perdidas
O jogo continuou igual no segundo tempo. Em cinco minutos, o Equador perdeu duas grandes chances. Primeiro, Guerron cruzou na área e Caicedo apareceu entre três marcadores para cabecear. Julio Cesar defendeu. No segundo lance, Benitez passou por Lúcio e, na cara do gol, chutou por cima.
Aos 12, novamente os equatorianos chegaram perto. Valencia fez a fila e tocou para Benitez, que, da meia-lua, chutou muito próximo à trave esquerda brasileira. Um minuto depois Julio Cesar salvou na bomba de Espinoza.
Após a pressão equatoriana, o Brasil conseguiu encaixar uma jogada. Robinho achou Luis Fabiano livre na área. O atacante ajeitou e bateu para a boa defesa de Cevallos.
Dunga, então, trocou Elano por Josué, mas a entrada do terceiro volante brasileiro não conteve o ímpeto dos jogadores rivais. Aos 18, Ayovi fez grande lançamento nas costas da defesa brasileira para Guerron. Ele dominou na cara de Julio Cesar, soltou a bomba e o goleiro brasileiro fez milagre.
Aos 25 minutos, Dunga sacou o inoperante Ronaldinho Gaúcho, que andava em campo desde o começo do jogo, e mandou a campo Júlio Batispta. Na primeira jogada do meia da Roma, ele abriu o placar, aos 27. Ele mesmo começou a jogada no meio campo. Tocou para Robinho, aberto na esquerda, ele devolveu para Julio Baptista, que invadiu a área e chutou forte. Cevallos defendeu, a bola tocou na trave, nas costas do goleiro e entrou.
O Brasil poderia ter ampliado aos 43, quando Luís Fabiano acertou a trave. No lance seguinte, veio o castigo. Valencia foi à linha de fundo, deixou Marcelo no chão e cruzou para a pequena área. Julio Cesar defendeu o chute de Benitez, mas na sobra, Noboa encheu o pé para empatar e deixar menos injusto o resultado.
EM QUITO
Equador 1
Cevallos; Reasco, Hurtado, Espinoza e Ayoví; Castillo, Méndes, Guerrón (Noboa) e Valencia; Benítez e Caicedo (Palacios). Técnico: Sixto Vizuete
Brasil 1
Julio Cesar; Maicon (Daniel Alves), Lúcio, Luisão e Marcelo; Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano (Josué) e Ronaldinho Gaúcho (Júlio Baptista); Robinho e Luís Fabiano. Técnico: Dunga
Árbitro: Carlos Chandía (CHI)
Estádio: Atahualpa
Gols: Júlio Baptista, aos 27, e Noboa, aos 44 minutos do 2º tempo


