Em Santos, parecia final de Copa do Mundo
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segunda-feira, 16 de dezembro de 2002
Agência Estado 
Santos Quando Carlos Eugênio Simon apitou o fim do jogo final, os 1.500 torcedores do Santos que assistiam à partida num telão instalado no Ginásio de Esportes Athiê Jorge Cury, dentro da Vila Belmiro, começaram ali mesmo um carnaval, ao som do hino do clube. Logo depois, a festa se esparramou para fora do estádio e cinco mil pessoas gritavam: é campeão. Grito que estava engasgado na gaganta da torcida santista há 18 anos, quando o Santos conquistou seu último título importante, o Campeonato Paulista.
Fora da Vila Belmiro, onde os torcedores comemoravam enquanto esperavam a chegada dos Novos Meninos da Vila, os campeões, a população rapidamente se concentrou na Praça Independência, o tradicional reduto das comemorações das vitórias esportivas e eleitorais dos santistas. Às 19h30, o local já estava lotado, com um público nunca visto antes, e as pessoas não paravam de chegar. As ruas, que estavam desertas durante o jogo, como nos da Copa do Mundo, de repente foram tomadas pelos carros embandeirados, com motoristas promovendo um ruidoso buzinaço.
O grito de alegria, porém, foi sofrido. Risos e lágrimas se alternavam depois da conquista do título de campeão brasileiro de 2002, substituíndo os momentos de alegria e tensão vividos durante a partida. Aos 23 minutos do segundo tempo do jogo, quando o Santos ganhava por 1 a 0, a torcedora Roberta Batista, 19 anos, não se conteve: ''não estou acreditando: até hoje só vi o meu time perder''.
Dentro do Ginásio Athiê Jorge Cury, a torcida estava perfeitamente sincronizada com a que estava no Morumbi. A quadra coberta segurava o som vindo do telão e que se misturava com os da torcida local. Tudo era festa enquanto o time ganhava. O torcedor que invadiu o campo foi aplaudido, Guilherme foi vaiado ao ser substituído, Fábio Costa havia virado o herói da partida e, aos 29 minutos, Wiliam deixou o campo do Morumbi sob o coro dos torcedores que estavam na Vila Belmiro: ''É campeão''.
No minuto seguinte, o silêncio. Gol do Corinthians. Mal a bola voltou a correr, novamente o coro ''Santos!'', desta vez para aliviar o sofrimento. Airton Souza, 37 anos, já virava as costas para o telão para não ver os lances do Corinthians. Usava uma faixa alvi-negra como se fosse um terço e não conseguia esconder o temor que todos procuravam disfarçar: a virada corintiana. Quando saiu o segundo gol do adversário, ele e muitos torcedores deixaram o ginásio, voltando só quando o Santos empatou. Minutos depois, o terceiro gol e a festa incontida. O hino santista, uma marchinha, animou o carnaval ali mesmo no ginásio.


