Rio de Janeiro - No duelo entre um time especialista em mata-mata e um dos matadores mais consagrados do futebol brasileiro, quem levou a melhor foi o segundo. O Fluminense de Romário venceu o eficiente Corinthians do técnico Carlos Alberto Parreira por 1 a 0, com um gol de sua única estrela, e agora precisa apenas de um empate no Morumbi, em São Paulo, na próxima quarta-feira, para ir à final do Campeonato Brasileiro e à Taça Libertadores.
  Devido ao forte calor, o jogo começou em ritmo lento. Tanto o mandante Fluminense, que entrou em desvantagem no confronto por ter feito pior campanha, quanto o visitante Corinthians levaram o jogo em ‘‘banho maria’’ na etapa inicial. Contra o São Caetano nas quartas, também sob alta temperatura, o Fluminense conseguiu fazer 3 a 0 nos paulistas após suportar o primeiro tempo. A estratégia hoje era exatamente a mesma.
  O Corinthians, por sua vez, planejava ‘‘cozinhar o galo’’ no Maracanã, tocando a bola ao máximo, sua especialidade, para não se desgastar. Com menos de 15 minutos, os corintianos Fabinho e Fábio Luciano já estavam tomando água na beira do gramado. ‘‘Está muito calor. Está difícil de aguentar’’, disse Deivid.
  Os zagueiros dos dois times, que nem pensaram em ir ao ataque, falaram no intervalo que a tática das duas equipes fora montada devido à temperatura. ‘‘Nos poupamos no primeiro tempo. No segundo, a gente vai correr’’, disse César, do Flu. ‘‘Seguramos o jogo para ter fôlego no segundo tempo’’, disse Scheidt, substituto do titular Ânderson.
  Scheidt, aliás, não deixou Romário colocar fogo no jogo no primeiro tempo. O ‘‘Baixinho’’, que já chegou a desmaiar há alguns meses no Maracanã em um dia de muito calor, pouco se movimentou, como sempre, e viu o zagueiro que mais assusta os corintianos interceptar a bola duas vezes antes que o atacante recebesse na cara do gol.
  Como está valendo o horário de verão, o sol no começo da partida era o das 15 horas. Os técnicos Carlos Alberto Parreira (ontem de calça jeans e manga curta) e Renato Gaúcho (de agasalho e também manga curta) já haviam protestado contra o horário do primeiro jogo da semifinal.
  No segundo tempo, com a temperatura mais amena, o jogo foi menos morno – no começo da partida, os termômetros no Rio de Janeiro marcavam mais de 40 graus. A entrada do meia-ofensivo Carlos Alberto no lugar de Zada incendiou o jogo. O trio de ataque do Fluminense, formado por Roni, Romário e Magno Alves, passou a ser mais acionado. Como diria Romário, ‘‘a chapa começou a esquentar’’.
  O Corinthians também se soltou mais e teve suas melhores chances para dar um balde de água fria no time carioca. Quando faltava ainda meia hora de jogo, Parreira mandou todos os seus reservas se aquecerem (como se fosse mesmo preciso). Entraram o atacante Marcinho e o meia-defensivo Fabrício, mas eles não são ‘‘sinistros’’.
  Romário aproveitou sua única chance e matou a partida. ‘‘Sinistro’’, cantou a torcida do Flu para o homem que chegou a 16 gols no torneio – está só a três do artilheiro, Luis Fabiano. No fim, Guilherme teve sua chance. Esgotado, desperdiçou um pênalti (chutou na trave) que pode deixar seu time em uma fria.

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