Em queda livre
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de julho de 2010
Renato Oliveira<br>Reportagem Local 
''A sensação de poder voar. Saber o que os pássaros sentem''. Foi isto que instigou o estudante universitário Maicon Wyrepcowski, que veio de Maringá para saltar de paraquedas pela primeira vez. O esporte é radical e considerado por alguns como perigoso, mas instrutores e praticantes garantem que não há riscos se requisitos básicos forem seguidos corretamente, como professores credenciados e equipamentos importados e periodicamente vistoriados.
Eventualmente, um grupo oriundo de cidades do interior paulista e do Paraná se reúne no Aeroporto 14 Bis, no distrito da Warta, na Zona Rural de Londrina, para saltar de paraquedas. No espaço, funciona a Fly Paraquedismo que ministra cursos de formação de alunos, normalmente aos sábados e domingos. Segundo a Confederação Brasileira de Paraquedismo (CBPq), a escola é a terceira maior do país com 80 praticantes inscritos.
Wyrepcowski não aparentava medo antes de subir no avião. Enquanto vestia o macacão ao lado da namorada Tainá Tavares, que também saltou, ele falava da experiência com outros esportes radicais, como rafting, caiaque e parapente. ''Quero conhecer a sensação da queda livre. Sentir a adrenalina'', definiu antes de entrar no avião com capacidade para 15 pessoas que lança os paraquedistas a 12 mil pés de altura (cerca de 3,65 mil metros) até oito vezes por dia.
Logo que chegou ao solo a adrenalina transbordava pela fala e pelos olhos. ''É a melhor coisa do mundo'', contou com a respiração ainda alterada. ''A melhor parte é quando você sai do avião. Não tem chão. Não tem nada. Quando abre o paraquedas você sente um impacto para cima. É demais'', completou. ''Durante a queda não me arrependi, mas na hora que abriu a porta eu não queria mais'', confessou.
Depois de desistir de fazer um salto duplo (recomendado para iniciantes), o farmacêutico Roberson Martins resolveu enfrentar o medo e saltou sozinho. ''Realmente existe uma coisa no paraquedismo que é igualar o medo com a coragem. Se o medo for maior que a coragem, a pessoa não salta'', acredita ele que conheceu o esporte por meio de amigos.
Atualmente, Martins é aluno do curso de formação de paraquedistas que compreende sete saltos individuais e aulas teóricas. Na primeira vez a tensão domina. ''Não curti muito. Você fica com medo, pensando: Será que vai abrir? Só na metade do salto eu relaxei. É inexplicável'', conta. ''Muitos dizem que você é uma pessoa antes e depois de saltar. Acho que é real mesmo'', completa.
Objetivos
O avião atingiu 12 mil pés. É hora da primeira turma sair pela porta. São cerca de 50 segundos em queda livre numa velocidade que varia entre 200 km/h (deitado) até 300 km/h (em pé). A seis mil pés o paraquedas abre. Depois, mais 5 minutos planando com o velame aberto, que pode atingir 120 km/h. O farmacêutico acredita que depois de uma experiência deste tipo é inevitável ''enxergar o mundo de outra forma''.
''Você encara tudo com mais objetivos. Isso se reflete na vida pessoal e profissional. Descobre forças que ainda não conhecia. A partir daí não dá para deixar de alcançar os objetivos por medo dos obstáculos. Para você criar coragem, subir num avião e saltar em queda livre é preciso superar muita coisa'', acredita.
A principal definição que encontra para o paraquedismo é ''o desejo do esporte radical''. ''É o prazer de estar em queda livre vendo tudo pequeno lá embaixo. Cada salto é melhor que o anterior. Você vê coisas que não viu e por isso quer voltar'', finaliza.


