Em Minas Gerais, jogador da seleção brasileira de vôlei sofre ato racista
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quinta-feira, 01 de março de 2012
Aline Reskalla <br> Agência Estado 
Belo Horizonte - O duelo entre Minas e Cruzeiro, realizado na noite da última quarta-feira, em Belo Horizonte, pela Superliga Masculina de Vôlei, foi marcado por um ato racista contra o oposto Wallace, da equipe cruzeirense. O jogador foi chamado de ''macaco'' por uma torcedora durante o segundo set do confronto, que terminou com vitória do Minas, de virada, por 3 sets a 2 - com parciais de 20/25, 25/27, 25/23, 25/19 e 15/12.
Após o duelo, realizado no ginásio do Minas, Wallace mostrou indignação com o fato e admitiu que pensou até em agredir a torcedora que o xingou em mais de uma oportunidade durante o duelo. Ele foi vítima do ato racista pela primeira vez no segundo set e depois em outras partes do confronto.
''Não dá para aceitar, essa 'fase' de você ser agredido racialmente. É lamentável. Sinceramente, fiquei extremamente chateado. Sinceramente, nunca gostei da torcida daqui, acho que eles (torcedores) não têm respeito nenhum. Mas fazer o quê, né? No momento do jogo, acho que foi Deus que não deixou eu ver a pessoa. Se eu visse, acho que pularia o alambrado e iria fazer uma loucura'', afirmou Wallace, em entrevista ao SporTV.
Wallace vem sendo convocado pelo técnico Bernardinho para defender a seleção brasileira e admitiu que o ato racista atrapalhou o seu desempenho dentro de quadra. Embora admita que isso não sirva como motivo para justificar a derrota de sua equipe, ele disse que ficou abalado emocionalmente durante o jogo.
Essa não é a primeira vez que a Superliga tem um jogador vítima de uma atitude preconceituosa por parte de um ou mais torcedores. Na edição passada da competição, torcedores do próprio Cruzeiro, defendido por Wallace, ofenderam o central Michael, do Vôlei Futuro, de Araçatuba (SP), com xingamentos homofóbicos durante uma partida em Minas Gerais.
O confronto em questão, realizado em Contagem, foi válido pelas semifinais da competição. Na ocasião, parte dos torcedores presentes xingou Michael, em coro, de ''bicha''. Por ser considerado réu primário pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), o Cruzeiro foi apenas multado em R$ 50 mil pela atitude da sua torcida.
Em nota, o Minas Tênis Clube também lamentou e repudiou o ato de racismo, mas destacou ''que se tratou de manifestação individual, impossível ser controlada e que em nada reflete a filosofia e valores do Minas''. A assessoria do Minas informou ainda que está tentando identificando a mulher que teria xingado Wallace por meio de imagens do jogo e uma investigação interna. Caso ela seja sócia do clube, poderá ser punida com suspensão ou até perda da cota.
Repúdio
A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) divulgou nota oficial nesta quinta, na qual afirma que ''lamenta e repudia qualquer tipo de preconceito durante todos os jogos de todas as competições do voleibol brasileiro'', em referência ao caso de racismo no clássico mineiro entre Minas e Cruzeiro.
De acordo com a CBV, o relatório do delegado da partida relata que, ao ser comunicado da agressão verbal direta a Wallace, o delegado acionou a segurança para identificar o agressor, que é uma mulher. A ofensa foi proferida no segundo set, mas, até o fim da partida, a agressora não foi identificado.
A entidade afirma que está reunindo toda a documentação do caso para avaliar e, se necessário, encaminhá-lo para o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).


