A final da Copa do Mundo mostrou a diferença de temperamento de torcedores italianos e franceses, que reuniram-se num bar na Área Central de Londrina para assistir ao jogo decisivo. Foi um duelo entre a agitação do fãs da Squadra Azzurra contra a serenidade dos Bleus. Após o pênalti batido pelo lateral Grosso dar o título para a Itália, os estrangeiros que moram em Londrina mostraram que o lema da competição - ‘‘É tempo de fazer amigos’’ - foi colocado em prática. Pelo menos em terras paranaenses.
  O músico e professor Daniel Bussi e o cozinheiro Alain David são franceses. Acompanhados pelo empresário italiano Claudio Marchi, deram uma demonstração de que é possível torcer e conviver em paz com os rivais. A cada lance polêmico, os torcedores discutiam, sempre ‘‘puxando a brasa para a sua sardinha’’, mas em clima de brincadeira e harmonia.
  O estilo do torcedor italiano Marchi mostrou ser mais parecido com o brasileiro. Impaciente, ele vibrava e xingava a cada lance de perigo do time do capitão Fabio Cannavaro. E não cansava de queixar-se do pênalti marcado pelo juiz Horácio Elizondo, que resultou no gol de Zinedine Zidane.
  ‘‘Não foi pênalti. E a Itália está jogando melhor, mas quem ganha é quem faz’’, advertiu Marchi, no intervalo do tempo normal. Otimista, ele apostava que o atacante Inzaghi entraria para decidir o título. O jogador do Milan não entrou, mas o torcedor explicou a preferência: ‘‘Sou torcedor milanês. Até torço pelo Atlético Paranaense porque a camisa é igual.’’
  Os franceses assistiam ao jogo com mais serenidade. Apostando, com certeza, na genialidade de Zidane. Mas a preocupação tomou conta quando o craque foi expulso, após dar uma cabeçada em Materazzi. ‘‘A Itália foi a campeã da loteria’’, brincou Daniel Bussi.
  A torcida francesa teve apoio de amigos brasileiros. Um exemplo foi o também professor do idioma estrangeiro e músico Rodrigo Munhoz. ‘‘A França fez por merecer pelo futebol que jogou durante toda a Copa’’, opinou. A paixão de ambos pela música e cultura francesas é tão forte que montaram uma banda para tocar canções em francês. É o grupo Côté Scène, que tem no repertório, inclusive, versões francesas de músicas brasileiras.
  Alain David parecia adivinhar o destino da seleção do país dele. Na prorrogação, salientou que esperava a decisão no tempo normal por temer os pênaltis. No momento da expulsão de Zidane, como todo bom torcedor, ele tentou justificar a atitude do craque. ‘‘Ele deve ter sido provocado pelo italiano’’, comentou.
  Porém, depois que o atacante Trezeguet desperdiçou a cobrança e a Itália conquistou o mundo pela quarta vez, os franceses reconheceram a vitória do rival. Um cumprimento entre vencedores e vencidos marcou o final da competição na terra que é conhecida como o país do futebol, mas que dessa vez ficou apenas na platéia da decisão da Copa do Mundo.

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