Ed Carlos Rocha
De Curitiba
Os olhos ficaram presos à televisão. A cada passo, a cada jogada, a expectativa do desfecho em gol aumentava. A torcida confiava na vitória da Seleção Brasileira, mas havia o receio da decepção - como ocorreu na Copa do Mundo -, associado à distante porém presente Copa de 50. Em Londrina, uma verdadeira multidão lotou o Bar Brasil, localizado no centro da cidade, onde dois telões transmitiram o confronto contra a equipe uruguaia.
O local reuniu pessoas de todas as idades, mas os adolescentes eram maioria, reforçados pela rapaziada que está prestando o vestibular da Universidade Estadual de Londrina. Havia até gente sentada nas janelas ou mesmo acompanhando os lances de fora do bar. A comemoração foi intensa a cada gol, regada a muita cerveja gelada. Após o jogo, porém, não houve grande movimentação nas ruas.
Em Foz do Iguaçu - a cidade brasileira que mais viveu o clima da Copa América, hospedando a Seleção durante 32 dias - a comemoração começou imediatamente após o término do jogo, com um buzinaço pelas ruas do centro. Os principais pontos de concentração de torcedores foram a Avenida Juscelino Kubitscheck, em frente à Lanchonete X Kão, e os bares da Avenida Jorge Schimmelpfeng.
Nas carreatas, havia muitos veículos com placas paraguaias. ‘‘Depois que o Paraguai foi eliminado (pelo Uruguai, nas quartas-de-final) passei a torcer pelo Brasil’’, contou o comerciante paraguaio Victor Benítez, de 38 anos.
Em meio aos torcedores, vendedores faziam a última tentativa de desovar o estoque de bandeiras, fitinhas e camisetas. Numa esquina da JK, Hélio Pacheco, de 25 anos, dividia espaço com cinco concorrentes. Até o final da noite, ele esperava vender as 30 bandeiras que restavam, ao preço de R$ 5,00 cada.
A decisão da Copa América não empolgou muito os torcedores de Curitiba. As ruas do centro da cidade ficaram praticamente vazias. Na Avenida Batel, tradicional ponto de comemoração, o volume de torcedores dispostos a comemorar chegou a ser irrisório - menos de 20. Quem se dispôs a comemorar, preferiu ficar dentro do carro, que também não foram muitos pelas ruas. Foi o caso do empresário Basílio Wowk. Para ele, apesar da competição não ter atraído muito a atenção devido ao nível fraco dos concorrentes do Brasil, valeu o título. ‘‘Temos que comemorar agora, já que na Copa do Mundo não foi possível’’.

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