EM FAMÍLIA - SEDE DE VITÓRIA
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segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Rafael Souza<br>[email protected] 
Há cinco anos, os irmãos Elessandro e Eduardo Oliveira não tiveram dúvidas em trocar a vida dura da roça pelo atletismo. A dupla que começou a correr junta há nove anos hoje não se arrepende de ter deixado a plantação de café na pequena cidade de Sarutaia 90 quilômetros de Sorocaba no interior paulista para correr. O fator saúde pesou, mas a principal diferença veio no bolso. Juntos, eles faturam uma média de R$ 60 mil em premiações por ano.
É muito mais do que a vida no sítio lhes davam. "Dá uma boa diferença", diz Elessandro, de 39 anos. O que não quer dizer, no entanto, que seja tão mais tranquilo. "É bem sofrido também. A gente leva uma rotina de profissional mesmo", conta Eduardo, de 30 anos. "A única diferença é que na roça às vezes a gente trabalhava horas seguidas e passava até sede, agora aqui não, a gente sofre, mas no final água não falta", brinca o mais novo.
Eduardo e Elessandro conheceram o atletismo há nove anos. Começaram a correr por curiosidade e saúde e não pararam mais. Aos poucos o que era apenas um estilo de vida foi ganhando ares de seriedade. E põe séria nisso. Eles ainda moram no sítio, é lá que treinam cerca de três horas todos os dias. Hoje, contam com preparação específica e são contratados por equipe, pela qual recebem salários. Sempre juntos, eles chegam a disputar uma média de 45 provas por ano.
Ontem pela manhã, em Londrina, a dupla Oliveira fez dobradinha na Meia Maratona Atlas Schindler, com Elessandro em primeiro e Eduardo logo atrás. Pelas contas do vencedor, foi seu 17ª triunfo em corridas somente em 2014, contando provas de várias distâncias. De onde vem a força para tudo isso, Eduardo responde: "Como a gente cresceu e trabalhou muito tempo na roça, traz muita resistência", conta o corredor. Há finais de semana, por exemplo, em que a dupla de Sarutaia chega a participar de duas corridas, uma no sábado e outra no domingo.
E aquela rivalidade natural de irmãos, eles garantem que não existe. Pelo contrário. "É uma parceria que ajuda muito. Correr em dois já é bom, com o irmão do lado, então, muito melhor. É uma motivação extra para os dois", diz Eduardo. Mas nem uma briguinha para decidir quem vai chegar em primeiro? "Não, isso nunca aconteceu e se Deus quiser, nunca vai acontecer", afastou o mais velho. Cezídio Alves Neto, de Assis (SP), terminou a prova no terceiro lugar.
Mas entre os pouco mais de 1,1 mil participantes da corrida em Londrina tinha também que não estivesse preocupado com premiação ou em chegar no primeiro lugar. O casal Maria Mercedes Maeda, de 65 anos, e Yoshio Maeda, de 68, correm por outro motivo. "Saúde. Isso aqui é uma felicidade só", bradou ela. Juntos, eles começaram a correr há três anos e sentiram a vida mudar para muito melhor. "Não tomo um comprimido sequer e desde que comecei a correr não fiquei doente mais, além da disposição, que é outra. Melhorou tudo", conta a esposa.


