São Paulo - Quem foi ao Pacaembu ontem não se arrependeu. Corinthians e São Paulo não jogaram um futebol primoroso, mas não faltou emoção até o último minuto no clássico. A vitória corintiana, que tinha tudo para ser tranquila, veio apenas na bacia das almas, aos 46 minutos do segundo tempo, e com um gol contra de Alex Silva.
A diferença estava na vontade. Enquanto os corintianos entraram pilhados, os são-paulinos pareciam com sono. Assim não demorou muito para o Corinthians tomar conta do jogo. E foi um massacre até conseguir tirar o primeiro zero do placar.
Rogério Ceni já havia visto duas bolas baterem na sua trave e na sequencia feito milagre, quando Dentinho tocou para Ronaldo, que ajeitou para Elias colocar no canto. O gol lembrou muito o que ele fez na semifinal do Paulistão do ano passado, no mesmo lugar, contra o São Paulo.
Ronaldo era o exemplo claro da vontade que o Corinthians estava de ganhar o clássico. O Fenômeno saiu duas vezes do ataque para ajudar na marcação, chegou a dar até um carrinho em Hernanes. O São Paulo parecia em outro planeta. O Corinthians não queria saber e fez o segundo. Desta vez em um erro de Miranda, que Danilo aproveitou.
O São Paulo precisava de um bom motivo para acordar, e ele aconteceu aos 36 minutos do primeiro tempo, quando Dentinho e Washington foram expulsos. O são-paulino, inconformado, foi para cima do árbitro. A revolta do companheiro teve efeito imediato, e o São Paulo despertou de um sono profundo. Jean diminuiu logo depois em jogada de Dagoberto.
Com um a menos de cada lado, o campo também ficou maior. E Ricardo Gomes decidiu tentar aproveitar esse espaço. O técnico voltou para o segundo tempo com Fernandinho no lugar de Léo Lima. Mano, do outro lado, não mexeu, mas fechou o time para jogar no contra-ataque.
As peças estavam no tabuleiro verde do Pacaembu. Mas nem deu tempo de ver quem havia acertado. Ceni ficou com as penas na mão após cobrança de falta de Roberto Carlos logo no começo do segundo tempo.
O clássico estava decidido? A Fiel pensou que sim. O time, dentro de campo, também. O São Paulo, que era quase um moribundo em campo, empatou com dois gols de Rodrigo Souto em falhas do goleiro Rafael Santos, que primeiro rebateu uma falta cobrada por Hernanes e depois saiu mal do gol em bola cruzada na área por Cicinho, em nova cobrança de falta.
Mas, no futebol, o jogo decididamente só acaba quando o árbitro apita pela última vez. E quando parecia que tudo estava decidido o zagueiro Alex Silva foi tentar cortar um chute cruzado de Iarley, que fez boa jogada pelo lado esquerdo da área, e marcou contra.

EM SÃO PAULO

Corinthians 4
Rafael Santos, Moacir, Paulo André, William e Roberto Carlos; Ralf, Jucilei, Elias (Tcheco) e Danilo (Jorge Henrique); Dentinho e Ronaldo (Iarley).
Técnico: Mano Menezes

São Paulo 3
Rogério Ceni, Jean, Alex Silva, Miranda e Junior Cesar; Rodrigo Souto, Hernanes (Cicinho), Léo Lima (Fernandinho) e Cléber Santana; Dagoberto (Marlos) e Washington.
Técnico: Ricardo Gomes.

Árbitro: Wilson Luiz Seneme
Estádio: Pacaembu.
Gols: Elias, aos 18, Danilo, aos 33, e Jean, aos 42 minutos do 1º tempo. Roberto Carlos, aos sete, e Rodrigo Souto, aos 29 e aos 37, e Alex Silva (contra), aos 48 minutos do 2º tempo
Expulsões: Dentinho (Corinthians) e Washington (São Paulo)
Público: 23.372 pagantes
Renda: R$ 738.733,00.

mockup