O Londrina tem entrado em campo pela Série B do Campeonato Brasileiro com a meta de deixar a zona de rebaixamento rodada após rodada. No sábado (23), entretanto, a equipe sofreu novo revés ao perder por 3 a 0 para o Fortaleza, resultado que manteve o time no Z4, com apenas oito pontos, e expôs novamente as fragilidades defensivas. Em dez partidas disputadas, o Tubarão só não foi vazado uma vez, no empate sem gols com o Ceará, no Vitorino Gonçalves Dias (VGD), em 19 de abril. Hoje, o LEC tem a terceira pior defesa da competição, com 18 gols sofridos, à frente apenas da vice-lanterna Ponte Preta, que levou 20, e do lanterna América-MG, vazado 19 vezes.

Mesmo nas raras vitórias, a defesa não consegue passar ilesa. No triunfo por 4 a 1 sobre a Ponte na rodada anterior, o time ainda levou um gol nos acréscimos, em Campinas.

A irregularidade nas escalações também tem sido um problema recorrente. São desfalques e mudanças constantes que impediram a repetição das formações defensivas. No setor, cinco zagueiros, três laterais-direitos e dois laterais-esquerdos já foram utilizados. Apenas o zagueiro João Victor ainda não entrou em campo pela Série B.

Na direita, André Dhominique recuperou espaço após iniciar o campeonato como titular, perder a posição para Weverton, contratado para substituir Maurício, emprestado ao Fortaleza, e retomá-la depois da má fase do próprio Weverton, que chegou do CRB e não se firmou. Dhominique voltou ao time contra a Ponte e foi mantido diante do Fortaleza.

No miolo da defesa, Yago Lincoln e Wallace começaram como titulares, mas lesões e suspensões abriram espaço para Heron, Gabriel Lacerda e, mais recentemente, Caio. Por necessidade, Caio e Gabriel conquistaram vaga entre os onze, tiveram boa atuação diante da Ponte, mas não evitaram os três gols sofridos no sábado. Assim, suas presenças para o duelo de domingo (31), às 11h, contra o Vila Nova, no VGD, ainda não são garantidas, embora a tendência seja a manutenção.

A lateral esquerda concentra as maiores preocupações. Kevyn, titular desde o Campeonato Paranaense, mantinha a posição, mas vinha oscilando e sofreu lesão muscular contra o Juventude, ficando fora das últimas rodadas. Seu substituto imediato, Rafael Monteiro, acumula falhas defensivas e gerou tanta apreensão que, contra o Fortaleza, Rogério Micale optou por improvisar o zagueiro Heron na função no segundo tempo. Caso Kevyn não retorne no fim de semana, novo improviso não está descartado.

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Diante de tantas mudanças obrigatórias no setor, Micale admitiu preocupação, mas reforçou que todos os atletas precisam aproveitar as chances recebidas, independentemente da posição. Segundo ele, a instabilidade coletiva não pode servir de justificativa. “Temos jogadores no elenco que estão tendo oportunidade, e cada um aqui precisa agarrá-la, assim como eu agarro a minha de estar no Londrina. É fundamental compreender o peso de vestir esta camisa. Somos cobrados diariamente e precisamos dar respostas”, afirmou o treinador, que admitiu que a derrota em Fortaleza deixou um sentimento de “luto” no elenco.

“Sabemos que não fizemos um bom jogo… sabemos, e ficamos chateados. Detesto perder. Tenho um problema sério na minha vida, porque eu ouço, entendo, mas não consigo lidar com a derrota, não consigo processar. Fico chateado porque esperava levar um ponto, mas agora é página virada. Vamos continuar trabalhando”, afirmou o treinador.

Segundo ele, o clima no vestiário refletiu essa insatisfação, com cobrança entre os próprios atletas. “Temos que sentir a derrota. Não podemos nos acostumar a perder e achar que está tudo bem, porque não está tudo bem. Temos que mudar a chave, se é que ela existia. Todos ficaram juntos, chateados, mas é fim do luto, e vamos em busca do objetivo que temos, que está muito bem definido”, completou Micale.

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