Em Curitiba, clubes alegam falta de dinheiro
Marcos Freitas
De Curitiba
Passada a ressaca de medalhas conquistadas no Pan-Americano de Winnipeg, o Brasil volta a conviver com a velha dor de cabeça de não investir em esportes olímpicos. Os três maiores clubes de futebol de Curitiba - Coritiba, Atlético e Paraná Clube - já foram melhores nesta área. Hoje, o investimento, quando existe, é irrisório.
O Coritiba, que já teve equipes de vôlei e futsal, que conseguiram títulos estaduais para o clube, não tem mais a mesma força. Atualmente não há investimento no setor. Somos um clube de futebol e não temos dinheiro para manter os profissionais, quanto mais para investir em esportes olímpicos, diz o presidente João Jacob Mehl.
Segundo ele, para acontecer um investimento maciço é preciso que o clube acerte uma parceria. O Vasco da Gama está posando como herói porque o patrocinador deles tem interesse nos esportes olímpicos, sentencia Jacob. Aqui no Coritiba, nem patrocínio temos, diz, ressaltando que o clube gostaria de investir nesta área, mas o problema é falta de recursos.
No Atlético, a situação não é diferente. Para o presidente do clube, Nelson Fanaya, o rubro-negro paranaense precisa concluir o estádio e se fortalecer como grande clube brasileiro para depois investir em esportes olímpicos. Mas para isso acontecer precisamos de parceiros que queiram investir nesta área, diz Fanaya.
O Paraná Clube é o único do trio-de-ferro que investe em esporte amador. Segundo o presidente Dilso Rossi, o valor ainda é pequeno - Não chega a R$ 1 milhão por ano. Segundo ele, o Paraná está se reestruturando, e a parte do futebol profissional vai ser desmembradada do clube. O esporte amador vai ser um assunto do clube social, revela. Ele confirma que há interesse em rever este quadro. Nos próximos anos investiremos mais em esportes olímpicos, promete Rossi, dizendo que o primeiro passo já foi dado. Com o aluguel do Pinheirão, já temos um bom espaço para o atletismo, já que o estádio conta com uma excelente pista.
Todos os presidentes dos clubes são unânimes em dizer que falta espaço na mídia para divulgar os esportes amadores. Segundo eles, isto é uma falha que inviabiliza investimentos. É preciso rever a postura da imprensa brasileira, que hoje dá pouco espaço para estas modalidades, avalia Jacob Mehl. Como conseguir investimentos, se não há espaço para que os patrocinadores apareçam?, questiona Dilso Rossi.





