Em crise e sem Ricardinho, Brasil estréia no vôlei
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domingo, 22 de julho de 2007
Erica Akie Hideshima<br> Agência Estado 
Rio - Quando tudo parecia perfeito para a seleção brasileira masculina de vôlei quebrar o jejum de 24 anos sem título em Jogos Pan-Americanos, uma bomba caiu sobre o grupo: o técnico Bernardinho anunciou na noite de sábado o corte do levantador Ricardinho, o capitão do time e melhor jogador da última Liga Mundial. O motivo alegado foi ''desgaste na relação''. E, ainda no meio dessa crise, o Brasil estréia hoje no Pan do Rio, contra o Canadá, a partir das 22 horas, no Ginásio do Maracanãzinho.
O clima no treino da seleção na noite de sábado, no Maracanãzinho, não era dos melhores, pouco tempo depois de Bernardinho ter cortado Ricardinho. Giba, o melhor amigo do levantador, saiu antes do trabalho acabar e não falou com a imprensa. É ele quem assume a posição de capitão do time, que busca o único título que ainda falta para essa vitoriosa geração.
O anúncio do corte foi na noite de sábado. Enquanto acompanhava a final do vôlei de praia feminino, em Copacabana, o presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Ary Graça, minimizou a crise e disse que Bernardinho e Ricardinho tinha feito um acordo. Mas, pouco depois, durante o treino no Maracanãzinho, o treinador desmentiu essa história e garantiu que foi uma decisão da comissão técnica da seleção.
''Não houve um fator específico, o desgaste aconteceu ao longo do tempo. Preferi cortá-lo para não piorar a situação. Se ele estivesse aqui, talvez a situação fosse muito pior. Vou precisar dele no futuro, não tranquei nenhuma porta'', explicou Bernardinho.
Em entrevista para as emissoras de tevê, Ricardinho afirmou que não sabia o motivo do corte, que se sentia traído e que achava que a decisão já estava planejada há algum tempo. ''Eu avisei que chegaria um dia depois (do que estava previsto) porque tive problemas com o aeroporto. O Zé Inácio (chefe de delegação e preparador físico) disse que eu poderia vir para o Rio. Quando cheguei aqui, não consegui pegar meu uniforme do Pan e nem tinha reserva em hotel, por isso acho que essa decisão veio de antes'', contou o levantador, que foi embora do Rio na manhã de ontem para Maringá.
Bernardinho justificou as ações da comissão técnica no caso. ''Eu não poderia dar essa notícia por telefone. Conversamos e ele foi embora magoado. Ele tem o direito de se sentir traído como disse, mas eu nunca o traí e isso não foi orquestrado. Para todo desgaste das relações é preciso dar um tempo para as pessoas pensarem, se questionarem e refletirem. Se eu sentir que errei, vou me desculpar e chamá-lo de volta'', afirmou o técnico.
O clima ficou ainda pior diante do fato de Ricardinho ter sido substituído por Bruno, que é filho de Bernardinho e já estava treinando com a seleção - participou ativamente da primeira fase da Liga Mundial.


