Em casa, Farfus se prepara para temporada do WTCC
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domingo, 14 de fevereiro de 2010
Luciano Balarotti<br> Equipe da Folha 
Curitiba - ''Sou o único piloto do campeonato que pode sair do autódromo depois do treino de sábado, dormir em casa e voltar para a pista no dia seguinte''. As palavras do curitibano Augusto Farfus Júnior resumem bem a alegria que ele sente por abrir a temporada do Campeonato Mundial de Carros de Turismo (WTCC, na sigla em inglês) na cidade natal, no dia 8 de março. Será a quinta temporada seguida em que a categoria, uma das três únicas com campeonatos mundiais reconhecidos pela Federação Internacional de Automobilismo - as outras são a Fórmula 1 e o Campeonato Mundial de Rali (WRC) -, correrá no Autódromo Internacional de Curitiba.
Precoce como quase todo grande piloto, Farfus aproveita a proximidade com a família e os amigos neste período do ano. ''É uma emoção gigante correr em casa, até porque eu saí daqui muito cedo, na época do kart ainda'', conta o piloto, recordando dos tempos em que se radicou em São Paulo, aos dez anos de idade, para comprovar o talento como um dos mais promissores kartistas da época.
Depois de consolidar a carreira no kart, inclusive com bons resultados no exterior, Farfus seguiu o caminho natural rumo ao automobilismo, inicialmente competindo nos campeonatos italiano e europeu de Fórmula Renault, conquistando o título continental em sua segunda temporada. O passo seguinte o levou à Fórmula 3000 Europeia, categoria em que levou mais dois anos para se consagrar campeão, em 2003, aos 20 anos. Trajetória vitoriosa que tinha tudo para culminar com a ida para a Fórmula 1, mas que rumou para os carros de turismo por uma série de fatores.
''Lógico que o sonho de qualquer piloto é chegar na principal categoria, mas nenhum piloto vive só de sonho. Tomei esta decisão naquela época por absoluta falta de apoio financeiro para buscar um lugar na Fórmula 1 e hoje posso dizer que fiz o certo. Não trocaria minha posição atual na equipe BMW do WTTC por um lugar no fundo do grid da Fórmula 1'', conta o piloto, que chegou a testar os bólidos da própria BMW na principal categoria do automobilismo mundial. ''Pena que nesta mesma época os treinos foram limitados e eu não tive tantas oportunidades de fazer um trabalho a longo prazo. Para este ano até apareceram convites de equipes da F-1, mas ao preço de 250 mil dólares por corrida'', complementa.
Turismo
Ao deixar de lado os monopostos, Farfus acertou com a equipe Alfa-Romeo para disputar o Campeonato Europeu de Carros de Turismo, que em 2005 transformou-se no atual WTCC. Depois de três temporadas pela escuderia italiana, tendo como melhor resultado o 3º lugar no mundial de 2006, o curitibano foi contratado pelo BMW, onde está até hoje. Com o carro alemão, protagonizou duelos memoráveis com a ''armada espanhola'' da Seat. ''O ano passado foi o meu melhor na categoria, eu venci seis provas e mais uma vez disputei o título até o final. Tivemos alguma desvantagem no início do campeonato mas chegamos ao final em igualdade de condições com os adversários'', conta.
Equilíbrio que o piloto acredita que se repetirá na temporada que começa em março, apesar dos efeitos negativos da crise econômica mundial sobre a categoria - que levou a fabricante espanhola a fechar a equipe oficial e a alemã a reduzir seu time de cinco para apenas dois pilotos: Farfus e o inglês Andy Priaulx, tricampeão mundial de 2005 a 2007. ''A Seat não competirá oficialmente, mas terá seis carros com motor turbodiesel competindo, contra cinco do ano passado. A Chevrolet pode ser a surpresa do ano porque eles estão investindo bastante e até me procuraram para me juntar à equipe deles antes de contratar o Yvan Muller. E eu e o Andy vamos fazer uma boa dupla dentro da BMW'', aponta.
Diante de tanta competitividade, Farfus espera brigar novamente pelo inédito título mundial, que esteve perto de suas mãos também no ano passado, quando foi novamente 3º colocado no campeonato. ''Tem batido na trave e eu vejo que este é um bom ano para buscar o título. Mas sei que WTCC são dez ou 12 pilotos que brigam pela vitória, enquanto na Formula 1 são três ou quatro'', explica o piloto, antevendo a dura batalha pelo lugar mais alto do pódio.


