Ed Carlos Rocha
De Curitiba
O atacante Lucas, 21 anos, do Atlético Paranaense, nunca gostou tanto de voltar ao trabalho mesmo antes de acabar as férias. Ao ser oficializado ontem pelo técnico da Seleção Brasileira Pré-Olímpica, Wanderley Luxemburgo, como o substituto do atacante Roni, cortado por contusão, Lucas não se conteve.
– É a melhor maneira de encerrar as férias. Numa situação dessas, dá vontade de trabalhar sempre - afirmou o atacante, que estava em férias na casa dos pais, em Ribeirão Preto (SP), e voltaria amanhã ao trabalho com o Atlético.
Essa é a segunda convocação de Lucas para uma seleção brasileira. Em 96, ele havia participado do Torneio da Arábia Saudita pela Sub-17. Na Sub-23, no entanto, ele não foi convocado nenhuma vez nos quatro amistosos de preparação que a equipe fez antes do torneio.
Lucas disse que recebeu a notícia às 11h20, por meio de um telefonema de um amigo. Segundo ele, apesar de já estar esperando em virtude dos comentários no dia anterior de que provavelmente seria o escolhido para a vaga de Roni, não houve como conter a euforia.
O atacante disse que, apesar da forte concorrência com outros jogadores, merecia mesmo uma chance.
– Tenho feito um bom trabalho no Atlético e sabia que mais cedo ou mais tarde poderia ser chamado.
A família do jogador também vibrou. A mãe, dona Ana, foi a que mais se emocionou. ‘‘É o melhor presente que ele poderia nos dar. Estamos muito contentes, principalmente por saber que ele sempre trabalhou por isto’’.
Lucas passa a ser o segundo jogador do Atlético na seleção pré-olímpica – o outro é Adriano. Ele não esconde a importância do Estado e do clube na sua convocação.
– O futebol paranaense está crescendo muito nos últimos anos. Isso culminou com a classificação do Atlético para a Libertadores, o que já colocou os jogadores na vitrina. Sei que fiz um bom Campeonato Brasileiro, mas me destaquei bastante com os três gols na vitória sobre o Cruzeiro na final da Seletiva para a Libertadores. Por isso, sempre vou ser grato ao Atlético.
E foi no próprio Atlético, onde chegou em maio de 98 vindo do Botafogo de Ribeirão Preto (SP), que aconteceu uma situação curiosa na carreira do atleta. Antes do primeiro jogo do Atlético na Arena da Baixada, contra o Flamengo, alguns jogadores do clube carioca, como o goleiro Clêmer, disseram que nunca haviam ouvido falar no tal de Lucas. O atacante se apresentou aos flamenguistas fazendo um dos gols da vitória de 3 a 2 do Rubro-Negro paranaense.
Humilde e modesto por saber que entrou na seleção na ‘‘segunda chamada’’, Lucas, que fez 30 gols em 99 pelo Rubro-Negro, diz que agora o importante é estar no grupo.
– É claro que gostaria de ser titular, mas pelas circunstâncias o importante agora é fazer parte da seleção. Depois a gente vê como fica a briga pela posição.