Em cantina de Curitiba, angústia até o final
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segunda-feira, 26 de junho de 2006
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Curitiba - ''Ufa!'' Foi o que mais se ouviu antes da cantoria liderada pela tarantela, na tarde de ontem, após a partida entre Itália e Austrália, pelas oitavas-de-final da Copa do Mundo da Alemanha. Os italianos, descendentes e simpatizantes que acompanharam a partida juntos na Cantina Rozalina, em Santa Felicidade, tradicional bairro da Azzurra em Curitiba, viveram momentos de apreensão, angústia, irritação e, finalmente, alívio e alegria, depois do gol de Totti, que colocou os tricampeões mundiais nas quartas-de-final.
Mesmo sem apresentar um futebol virtuoso e plasticamente bonito até agora na Copa, a expectativa dos 'tifosi' era de uma classificação um pouco menos dramática. As cerca de 30 pessoas reunidas na cantina traziam três gerações de italianos e seus descendentes com camisas de Vieri, Del Piero e até mesmo Roberto Baggio, perdoado do pênalti mal cobrado em 94, na final contra o Brasil. Toda a torcida animada com músicas tradicionais e, claro, regada a bom vinho, salame e queijo de primeira.
A empolgação inicial, no entanto, foi dando lugar à ansiedade pelo gol que não saía. Cada chance desperdiçada por Gilardino ou Lucca Toni era acompanhada de um ''ah, meu San Francesco!'' ou ''meu San Gennaro!''. O empresário Cássio Zambrin, de 35 anos, neto de italianos, também sofreu como os outros mas confessou que na verdade torce mais para a seleção canarinho.
''Ganhar a Copa, a Itália acho que não ganha. O sangue é italiano mas torcemos mesmo é para o Brasil, porque o pessoal já vive aqui no Brasil há muitos anos'', explicou Zambrin, que adiantou torcer para a seleção tupiniquim no caso de final entre Itália e Brasil.
Previsão - Giuseppe Macchioni, aposentado de 79 anos, chegou no Brasil em 1972, em Maringá, quando procurava oportunidades de trabalho no período pós-Segunda Guerra Mundial, aos 25 anos. Desde então, foi bem acolhido no Paraná e estabeleceu-se em Curitiba. No intervalo da partida, quando o jogo caminhava para um dramático 0 a 0, o italiano clamava por uma mudança que viria a ser crucial para a decisão da classificação para as quartas-de-final.
''A Itália tem que jogar como sabe. Defender primeiro e depois contra-atacar. Acho que está faltando o Totti. Disseram que o Totti não vai jogar bem mas ele bate bem na bola e é do meu time, a Roma'', pediu Macchioni. O italiano não vê a Azzurra como favorita, mas acredita que a equipe vai longe, com possibilidade de acessar a final. ''Não sei se isso vai acontecer. Mas se acontecer uma final com o Brasil, o time brasileiro é 51% favorito. A Itália é 49%. Bom, aí eu ficaria com os meus 49%'', disse, aos risos, o simpático velhinho.
No segundo tempo, a dramaticidade do duelo aumentou quando a Itália teve Materazzi expulso e ficou com dez jogadores. As esperanças dos 'tifosi' foram diminuindo com a ascensão do time australiano em campo e a angústia só encerrou aos 48 minutos, quando a Azzurra ganhou um pênalti a seu favor. Totti converteu e garantiu a festa dos então apreensivos torcedores. E também assegurou a rodada de polenta na cantina. ''Viu só! Eu disse para você! Faltava o Totti!'', exclamou Macchioni, bem mais feliz ao final da partida.


