Em Bandeirantes, Edson Ribeiro exibe medalha e tem homenagens
Não era nenhuma grande conquista do União Bandeirante, tradicional equipe de futebol da cidade, tampouco uma comemoração atrasada de políticos eleitos: Bandeirantes, 90 km a leste de Londrina, viveu ontem um de seus dias mais agitados com a recepção ao atleta Edson Luciano Ribeiro, integrante da equipe do revezamento 4 x 100 metros rasos que conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Sydney.
É muito bom estar de volta na cidade que nasci e rever os amigos. Se eu pudesse dizer tudo o que estou sentindo agora, seria pouco, contou o atleta, que também integrou o revezamento medalha de bronze em Atlanta-96.
Nascido em Bandeirantes há 27 anos e iniciado no atletismo apenas a partir dos 18, quando serviu ao Tiro de Guerra (antes jogava futebol e beisebol), Edson teve uma recepção digna de um herói. Desfilando sobre um carro do Corpo de Bombeiros, acompanhado por uma longa fila de veículos, Edson cumprimentava a todos durante o trajeto e não deixando de atender a ninguém, seja com um aperto de mão ou um autógrafo.
O fim da carreata organizada por amigos e familiares foi na ACEB (Associação Cultural e Esportiva de Bandeirantes), o clube da colônia japonesa da cidade, onde o atleta foi homenageado e deu várias entrevistas. Entre os vários assuntos discutidos, Edson disse que o principal fator que levou o time brasileiro à conquista da medalha de prata aconteceu durante as eliminatórias do 4 x 100m.
Saiu muita coisa na imprensa que não aconteceu. Na prova eliminatória chegamos em quinto lugar, perdendo para Cuba e quase para o Japão, mas nos classificamos. Foi aí que entrou em cena o Jayme Netto Jr., o nosso treinador. Ele deu um puxão de orelha em todo mundo, dizendo que estávamos de salto alto, achando que tudo estava sob controle. E não estava. Ele pediu mais humildade e foi assim que passamos para a fase final. Na decisão, chegamos atrás apenas dos americanos e na frente dos cubanos. E veio a medalha de prata. Graças a Deus tivemos aquele tempo para conversar, acordarmos para a realidade.
E vida de estrela é outra coisa. Mal acabou a recepção em Bandeirantes, Edson já estava pronto para voltar a Presidente Prudente, onde tinha outros compromissos relacionados ainda à conquista da medalha de prata. Vou para lá, mas volto em seguida para Bandeirantes; quero ficar um pouco com meu pai e minhas irmãs e vou aproveitar para descansar, afirmou.
Por sinal, uma das pessoas mais felizes ontem era o seo Osvaldo Ribeiro, 50 anos, pai de Edson. Ele sempre gostou do esporte. Quando menino jogava bola pelas ruas da cidade. Depois passou para o beisebol e agora está fazendo sucesso no atletismo. Espero que ele continue sempre com a mesma humildade, pois tem muito a conquistar ainda, disse, orgulhoso.





