Lima, Peru - O mais antigo campeonato de seleções do mundo perdeu o brilho. Está opaco. E experimenta a partir de hoje, quando Venezuela e Colômbia abrirem a 41 Copa América, no Peru, seu ocaso. Nunca, desde a edição inaugural em 1916, atletas, cartolas e torcedores viram a competição que reúne os países da América Sul e convidados com tanto desprezo.
Isso na primeira vez que o torneio é disputado no mesmo ano de uma Eurocopa. E as comparações são cruéis. Portugal gastou US$ 675 milhões para organizar o Europeu, o Peru só US$ 14 milhões. Todos os jogos da Euro foram exibidos na televisão brasileira. A Copa América começa com previsão de transmissão apenas dos jogos do Brasil, que é o símbolo maior do descaso com que a competição é vista atualmente.
O país estará representado apenas por reservas. Somente um pentacampeão (Kléberson) desfilará em gramados peruanos. As estrelas Ronaldo, Ronaldinho, Kaká e Cafu preferiram descansar em vez de defender o país perante seus vizinhos.
Mas está enganado quem pensa que os brasileiros estão sozinhos. Deserções aconteceram em quase todas as seleções de primeira linha. E um time viajou ao Peru ''sob protesto'' depois de ameaça de simplesmente não aparecer. Trata-se do Uruguai, maior ganhador de Copa América ao lado da Argentina. O motivo é o fracasso das negociações com os dirigentes a respeito das diárias pagas à delegação. A federação uruguaia aceitou pagar US$ 40 por dia; os atletas pleiteavam US$ 120.
A Colômbia, atual campeã, também não estará completa. Preferiu dispensar alguns jogadores que alegaram cansaço. Os adversários fortes do Brasil na primeira fase, Paraguai e Chile, não viajaram com força máxima. O Paraguai vai testar a equipe sub-23, que se classificou para os Jogos de Atenas. O goleiro santista Tapia e o volante cruzeirense Maldonado também pediram dispensa da seleção chilena para seguir atuando no Brasileiro.
Fora de campo, o interesse não é muito maior. No fim de 2003, o Comitê Organizador Local (COL) estimou que 40 mil turistas cruzariam as fronteiras para acompanhar as partidas no Peru. Até a semana passada, apenas cerca de 3.000 confirmaram viagem.

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