Os Jogos Olímpicos de Atenas poderão servir de trampolim para o crescimento do handebol no Brasil. Pela primeira vez na história, tanto a seleção masculina como a feminina estarão disputando, ao mesmo tempo, a Olimpíada. Dirigentes, comissão técnica e atletas são unânimes em afirmar que um bom resultado na Grécia poderá alavancar o esporte, que possui milhares de praticantes, principalmente em escolas, mas que não possui carisma junto aos torcedores, como outras modalidades.
Dentro da realidade do handebol brasileiro, um bom resultado em Atenas não significa exatamente a conquista de medalhas. O técnico da seleção masculina de handebol, Alberto Rigolo, explica que o Brasil vem apresentando uma grande evolução técnica e tática nos últimos anos, mais ainda não está no mesmo nível das grandes potências mundiais do esporte. Por isso, ganhar alguns jogos e chamar a atenção da torcida brasileira já pode servir como o início da popularização da modalidade.
Mas, apenas, resultados satisfatórios na Olimpíada não serão suficientes. Rigolo ressalta que o mais preocupante é a fragilidade das competições nacionais. A Liga Nacional Masculina, por exemplo, é disputada por somente oito equipes, sendo que são sempre as mesmas que disputam o título. Invariavelmente, Metodista/São Bernardo e IMES/São Caetano estão entre os finalistas. Além desses, a Unifil/Londrina/Sercomtel e o Pinheiros possuem equipes qualificadas tecnicamente. As demais são figurantes na competição.
Preocupada com essa realidade, a Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) prepara uma nova estratégia de marketing para levar o público aos ginásios e, por consequência, atrair novos patrocinadores para o esporte. A fórmula deverá ser a mesma utilizada pelo vôlei e pelo futsal, que possuem campeonatos atrativos e compostos por várias equipes qualificadas. ''Atletas existem muitos, faltam clubes com estrutura'', observou Rigolo.
O técnico da seleção entende que o sucesso do handebol está diretamente ligado a parcerias com universidades. Não por coincidência, Metodista, IMES e Unifil são universidades particulares que apóiam o esporte. O próprio Rigolo foi o responsável, em 1993, pela fundação do departamento de esportes da Metodista, onde é o técnico até hoje. ''Temos uma boa estrutura que dá a oportunidade dos atletas atingirem resultados satisfatórios'', comentou sobre os inúmeros títulos conquistados pela equipe de São Bernardo do Campo.
De acordo com Rigolo, além de um campeonato mais estruturado, para crescer, o handebol brasileiro depende de um maior intercâmbio com as grandes potências do esporte. Durante a preparação da seleção olímpica, a CBHb tentou marcar vários amistosos contra equipes do primeiro escalão da modalidade, mas não obteve sucesso. Com isso, os atletas foram obrigados a se preparar enfrentando clubes nacionais e seleção sul-americanas.
Mesmo assim, o técnico acredita que esta é a melhor preparação já feita para disputa de uma Olimpíada. A seleção masculina já esteve em Barcelona, quando ficou na 12 e última colocação, e em Atlanta, quando ficou em 11º lugar. Já a seleção feminina esteve disputando a Olimpíada de Sydney e ficou em oitavo lugar. Apesar de alguns desfalques por lesão, Rigolo diz estar satisfeito. ''Ninguém é insubstituível'', comentou.
Em Atenas, a seleção masculina está no grupo com França, Alemanha, Hungria, Egito e Grécia. Para passar para a segunda fase tentará vencer Egito e os donos da casa. ''Não podemos estabelecer objetivos pequenos, como simplesmente passar para a segunda fase. Vamos enfrentar as potências do esporte preparados para vencer. Só assim teremos uma evolução no esporte'', conclui Alberto Rigolo.

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