Em 71, torcida invadiu Ponta Grossa
A retomada do crescimento do basquete de Arapongas coincidiu com a construção do ginásio de esportes, concluído em 1968, ano em que o município sediaria pela segunda vez os JAPs. Ao professor Dirceu Marino coube a responsabilidade de montar uma equipe forte, capaz de recolocar a cidade entre as forças do esporte paranaense.
Em seus anos como atleta, Marino conheceu muitos jogadores do interior paulista que poderiam reforçar o ''scratch'' local. De Birigui, ele trouxe os irmãos Luís e Wanderley Zin, mais conhecidos como Zinzinho e Zinzão, além de Zé Miguel. O técnico contou com uma dose de sorte, pois os irmãos Zin estavam sem clube naquela oportunidade. ''Eles vieram com a promessa da criação de uma faculdade de educação física, algo que se concretizou em 72'', argumenta Marino.
Além do técnico, o único remanescente dos campeões de 1961, que continuava a fazer parte do elenco, era o advogado João Pedroso Filho, 62. Ele defendeu o basquete de Arapongas por mais de 11 anos.
Os JAPs começaram e Arapongas foi aniquilando seus adversários com relativa facilidade. Mas o que ninguém esperava era que Zinzão rompesse o tendão de Aquiles. Ele ficou de fora da final contra Ponta Grossa e a equipe da casa foi derrotada. ''Foi muito frustrante. Mas em 90 dias me recuperei e voltei para conquistar o título paranaense contra Ponta Grossa'', conta Zinzão.
Marino observa que a equipe montada apenas para os JAPs foi mantida. No ano seguinte, Arapongas ganhou dois reforços importantes. Bressan, que jogava em Bauru, e o paraguaio Scarpini. Os dois ajudaram Arapongas a conquistar o título na 13 edição dos JAPs, em Cornélio Procópio. Ainda em 69, Arapongas participou pela primeira vez da Taça Brasil de Clubes, em São Paulo. Terminou em quinto lugar.
Porém, um dos títulos mais marcantes do basquete de Arapongas aconteceu em 1970. Os Jogos Abertos aconteceriam nos domínios do maior rival, Ponta Grossa. Como era esperado, os dois times se classificaram para a final. Por iniciativa do prefeito de Arapongas, Sadao Yokomizo, uma caravana de torcedores partiu rumo aos Campos Gerais. ''Nossa torcida tomou conta do ginásio. A arbitragem tirou nossos principais jogadores, mas vencemos'', declara Marino, observando que João Carlos, o Fonfon, foi decisivo para a vitória.
O engenheiro civil Antônio Itamar Novaes Chiappin, 52, esclarece que nessa época o basquete já era uma febre entre os jovens araponguenses. ''Antes o futebol e o futebol de salão eram os esportes mais praticados''. Ita, como é conhecido, foi um dos jovens locais que passaram a fazer parte do time adulto de Arapongas. Ele integrava o elenco que em 71 esteve em Franca (SP) participando da Taça Brasil de Clubes. Arapongas terminou em quarto lugar.
No mesmo ano, por seu reconhecido prestígio e força, Arapongas enfrentou a seleção brasileira que se preparava para os Jogos Pan-Americanos, na Colômbia. A seleção contava com jogadores como Hélio Rubens e Carioquinha. O placar final apontou vitória do Brasil por 77 a 57. ''Enquanto tivemos fôlego conseguimos manter o jogo equilibrado'', ressalta Sebastião Carlos Bressan, atual secretário de Desenvolvimento Humano de Apucarana. (G.A.)





